Perguntas da Carochinha


Já me disseram que é feio estar a mexer com as historinhas que nos fizeram sonhar e adormecer quando éramos crianças, estragar o que o imaginário de miúdos e graúdos ainda processa como belas imagens de fantasia e tal... Caguei pra isso!...

Depois do "Caso Anita" (em Portugal, sempre que algo não está bem, depressa se torna num "Caso..." e eu gosto de estar na linha da frente destas coisas; por isso, a referência - qui çá - polémica ao livro "Anita Mamã" passa desde já a ser o meu "Caso Anita"... está dito!) ...dizia eu... depois disso, dei comigo a percorrer as minhas recordações de infância e, inevitavelmente, pelas chamadas Histórias da Carochinha que me contaram a mim e que ainda se contam a todos os putos.

Qual não é o meu espanto quando reparo que há perguntas que nunca fiz acerca desses contos e que deveria ter feito, a bem do meu correcto desenvolvimento (será que é essa a razão de eu ser assim?!?...). Como se não bastasse, também me parece que mais ninguém se chegou à frente e as perguntas continuam por fazer.

Não se poderá ser considerado serviço público, mas cá vão as minhas questões acerca dos Contos de Fadas (não confundir com os contos de f*das da Revista Gina...) :

(nota prévia: eu já nem vou falar da cena dos animais falarem e assim...ok?... também... porra... se um gajo tem direito a fazer perguntas parvas... porque é que os animais não podem falar, ... que mais não seja para cortar na casaca uns dos outros?)

N'O Capuchinho Vermelho, alguém se lembrou de premiar a avó da miúda pela extraordinária capacidade de apneia? Lembro que a velha esteve horas dentro da barriga do lobo (que, pelos vistos, não mastigava lá muito bem - a velha estava inteira!!!) e de lá saiu respirando alegremente. Caso para o Guiness...! Mais... Qual será a opinião da Liga Protectora dos Animais acerca do abate a sangue frio e esquartejamento do lobo (ainda que mau) pelos lenhadores? Ah... e digam-me uma coisa... o lobo era macho? É que, se era, não vejo lógica nenhuma na parte de ter orelhas grandes para ouvir a miúda melhor. Gajo que é gajo, pura e simplesmente, prefere ouvir mal uma gaja ... isto se a quiser mesmo ouvir.

N'A Gata Borralheira, fiquei na dúvida sobre quem seria o parvo do fabricante de sapatos de cristal que aparecem como adereço na história. Antes de mais, porque deve estar na falência. Sem ser a Fátima Lopes (estilista), não estou a ver que estilista iria usar e promover esses modelos. E, já agora, se a uma abóbora corresponde um coche de luxo, a que legume corresponde o meu Fiat?... e que legume preciso eu de arranjar para mudar para um Porsche?

Pinnochio... Tantas perguntas que o politicamente correcto me impede de aqui reproduzir...
Mesmo assim, tenho uma. Será que o Gepetto - apercebendo-se de que os bonecos dele ganhavam vida - não teve, pelo menos, a tentação de começar a esculpir gajas boas e acumular a gestão da carpintaria com um clube nocturno em que a expressão "estar de pau-feito" faria todo sentido?

Será que o Twin Peaks não é a versão (ainda) mais estranha da Alice no País das Maravilhas? E aqueles cogumelos (que a faziam crescer desalmadamente)...? Serão considerados drogas leves (daqueles que a malta consome nas Coffee Shops holandesas) ou meramente uma inspiração para os actuais Suissinhos?...
(«faltou-te um bocadinho assim...» e ainda nessa onda... será que a Pfeizer também se inspirou?....)


E porque raio O Patinho Feio nunca foi considerado um conto xenófobo?

Não seria o tocador da Flauta Mágica um Exterminador Implacável da Idade Média, com métodos sadicamente mais cruéis (no caso, para os ratos)? E porque "carga de água" não há desratizações tão eficientes agora? Com o avanço da tecnologia parece-me estranho continuar a ser um gajo com uma flauta o melhor exemplo para o controlo de pragas.

Para já fico-me por aqui, questionando-me sobre qual seria o prazo de validade da casa de pão e bolo que o Hansel e a Gretel descobriram na floresta?
(Terão sido os antepassados daquela malta da MegaBroa e do MegaBolo-Rei, de Viseu, que construíram aquilo já a pensar no Livro do Guiness daquela altura?...)


É claro que há bem mais contos e histórias a merecer um olhar mais cuidado.

Robin dos Bosques ...
O Livro da Selva...
Gato das Botas...
João e o Pé de Feijão...
(interessante conceito, o de chegar ao céu rapidamente, mas com o tráfego aéreo e assim... não sei...)

Os 3 Porquinhos...
Branca de Neve e os 7 Anões...

(sabe Deus as questões que isso me levanta... e os filmes estranhos que já se fizeram...)

...

Enfim... Estava aqui o dia todo.
Mas... porra... estamos perto do Natal...
Não vale a pena estar para aqui a perguntar se não será só tanga essa cena de um gajo gordo conseguir entregar presentes no mundo inteiro numa só noite... ou se empresas como a UPS e a DHL (e, já agora, a Coca-Cola) não terão um forte lobby junto do governo finlandês, não é?...

Era chato...


1 inSensinho(s) assim...:

Tampinha disse...

Não lhes chamaria contos de fadas...são mais Histórias de Encantar!
Estarás tu a precisar de algum encantamento para voltares a ouvir este tipo de histórias sem tentar fazer qualquer analogia com o que, vulgarmente, chamamos lógica?!