Mais umas eleições...


Reparei ontem que votar é muito mais do que um simples acto cívico ou politico.
É uma... "coisa" de grande importância social!...

Fui pôr o meu voto à terra onde cresci e lá dei-me conta de um punhado de pormenores interessantes que agora me apetece partilhar convosco.

Antes de tudo mais, pelos vistos,... não se deve ir votar com uma roupa qualquer.
Pelo menos, foi com essa impressão que fiquei logo que cheguei à minha assembleia de voto.
Aparentemente, eu não me dei tanto ao trabalho de tratar de levar a melhor ndumentária que tenho no armário quanto o resto das pessoas... e isso valeu-me a (indesejada) atenção dos olhares que me seguiram até ao momento em que entrei na cabina para fazer a cruzinha no boletim de voto.
Será que é só mesmo impressão minha ou a rapaziada que vai votar faz questão de ir com uma toillete especial para a ocasião?...
É que eu vi pessoas que, num domingo normal (leia-se, sem eleições), não se vestem tão bem quanto as vi ontem vestir.
Muitos fatos, muitos ensembles, muitas gravatas e muitas écharpes... e eu... sweater, calça cheia de bolsos e umas botas.
Fica, portanto, a minha questão: Haverá algum "código de vestuário" para a malta ir "pôr"?

Fiquei também com a certeza de que - a bem da boa informação - tem de haver eleições todos os anos (e, se possível, duas vezes por ano). Simplesmente porque, desde que cheguei ao meu local de voto e até ao momento em que voltei para casa (coisa de 10 minutos, mais ou menos), tive a chance de saber que dois ex-colegas meus (sensivelmente da minha idade) são “recém-pais”, que uma outra moça está grávida de gémeos, que houve três divórcios de gente conhecida minha, que há outros dois casamentos com graves problemas ao nível da chamada "infelidade encornante" e que indivíduo "x" já "afiambrou" uma das tais divorciadas que, segundo a minha "fonte", «é uma "daquelas" que não perde tempo, 'tá a ver?...».
Enfim, nem num canal de notícias 24 horas se consegue tanta informação "valiosa" em tão pouco tempo.
Se assim é, haver eleições periodicamente dá-me, então, a hipótese de saber tudo o que é "realmente importante" acerca do quotidiano lá da terrinha!... E estamos na Era da Informação, não estamos?...

Outra das coisas inerentes ao facto de vir de fora para votar na terra onde se cresceu é o verdadeiro ataque cerrado em forma de questionário feito à malta (e lembro de que só lá estive 10 minutos).
«Que é que tem feito?... Onde é que está a sua mulher?... Ou ainda não casou?... E filhos?... Não quer ter filhos?...
O que é que faz agora?... Ganha bem, é?... Então e os seus pais?... Estão de saúde?...»
São, obviamente, perguntas para as quais estou plenamente qualificado para responder... mas não à velocidade a que mais e mais perguntas surgem e saltam da boca do(s) meu(s) interlocutor(es)!... É impressionante! Fico mesmo na dúvida se o mais importante é saber a resposta ou simplesmente não deixar nenhuma pergunta potencialmente indiscreta por fazer...

Depois - muito depois - vem a questão politica.
Sabendo toda a gente da simpatia politica de... toda a gente - como é normal em terras pequenas - a rapaziada fica curiosa em que quadrado é que a malta que está fora um ano inteiro vai deixar a cruz. E é ver os estratagemas "geniais" que se põem em prática para tentar saber...!
Vale quase tudo!... e só não vale ir à cabine comigo porque 1) eu não deixo e 2) porque isso ia dar uma "bandeira" desgraçada, com a malta não só a desvendar a preferência partidária bem como a permitir o nascimento de um boato acerca de uma relação proibida de sexo ardente numa cabina de voto...
Mais de resto...!

Mas enfim... lá se passou mais um dia de eleições.
E em Outubro há mais!
Talvez saiba mais umas novidades jeitosas e lá tenha de levar com uma nova ronda de perguntas, "metralhadas" por alguém que me encontre perto da mesa de voto.
Em quem vou votar... não sei. Logo se vê.
Mas acho que vou já começar a preparar um fatinho para vestir nesse dia...

AH! Quase me esquecia!
Deixem-me só dizer que - em termos políticos - me perece IMPORTANTÍSSIMO dar relevo à eleição de Pita Ameixa (distrito de Beja) para a Assembleia da República, pela qual - de resto - me regozijo pessoalmente.
Porquê?
Porque gosto de saber que vivo num país cujos destinos estão a cargo de 200 e tal deputados que eu não saberei o que estão lá a fazer mas de uma coisa terei a certeza... lá no meio estará um tal de Pita Ameixa, o gajo com o nome mais fixe do Parlamento.


4 inSensinho(s) assim...:

Didas disse...

Para a próxima quero "pôr" aí na tua terrinha :-)

covinhas disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
so disse...

tou a ver que isso p´rós teus lados é muito mais animado. aqui não teve emoção nenhuma :(

ABC Darius disse...

Como diria o velho ditado:
"Que não seja o que Deus quiser, mas o que nós quisermos"...e pensamos que foi.
Abraços