Hoje acordei diferente





Hoje acordei diferente. Um amigo meu diria que eu acordei mais parvo… mas essas vozes do contra-InSenso não contam para a estatística, como, de resto será mais ou menos claro. No entanto, a diferença no meu acordar nada tem a ver com a eventual parvoíce da minha pessoa mas sim com o aspecto do lado esquerdo da minha cara. A face que, à minha primeira passagem pelo espelho da casa de banho, apresentava um sublime conjunto de linhas e formas cuja dificílima execução estará só ao alcance dos melhores artistas da famosa corrente neo-naif-impressurrialista.

Bom… ao alcance de um desses ou então de uma almofada mais esgalhada que insista em marcar a malta de tal maneira que, ao fim de uma hora (e já no local de trabalho), ainda me perguntavam o que se passava com a minhas bochechas rosadas e cheias de “vincos” ou se tinha acabado de sair da cama, o que é uma chatice, visto que um gajo fica com a fama… mas o proveito (de dormir até mais tarde – e logo numa segunda-feira!)… ‘tá bem, ‘tá…!

O que é facto é que essas parvas das almofadas, muitas vezes fiéis depositárias das nossas aflições e – em não raras ocasiões – até boas conselheiras, de quando em vez, passam-se fortemente, dão em traquinar e pregam-nos estas partidas de gosto muito duvidoso, que só nos prejudicam a imagem perante os outros.

Mas, afinal, que motivação terá uma almofada para nos tramar desta maneira? Ainda para mais, com estes “artísticos” requintes de malvadez…!

Sempre me intrigou o facto de que, passando nós praticamente um terço da vida a chonar (e, portanto, na companhia das ditas, literalmente, com a cara enfiada almofada dentro), só de vez em quando esta coisa do “vinco” suceda. É certo que nunca me dei ao trabalho de fazer a estatística… mas será que é de “x” em “x” tempo que isso acontece? Será que, ao fim de um determinado tempo, a almofada simplesmente sabe que tem de marcar a bochecha da malta e…!? Será?

Ou então, se assim não for… o que é que leva a esta caricata situação? Intervenção divina? É que sempre me disseram que (na ausência dos santos e do próprio Deus… que devem ter muito mais do que fazer) os anjos vigiam o sono da rapaziada e tal. Poderão ser eles a congeminar contra a lisura da nossa pele facial pela matina? Assim coisa ao estilo de «Um pecadinho só!… ninguém nota!…». Sim; porque (por exemplo) o meu gato também tem cara de anjinho e é a besta que é…!

Uma coisa é certa. As marcas lá desapareceram mas do constrangimento de ser apontado como um dorminhoco já não me livrei. E isso está mal!... Mesmo que, por algum tempo, a minha face canhota francamente se assemelhasse a uma bela “picassada”, que (a manter-se assim) um dia mais tarde poderia valer-me uns cobres preciosos.

Acho que vou dormir sobre este assunto…!



Costa(s)



Numa discussão decorrente do infortúnio de uma amiga minha que se queixava de fortes dores nas costas, surgiu-me uma daquelas dúvidas que me põem azamboado toda a santa vez que sou “forçado” (pela minha natural InSensatez) a matutar sobre coisas como esta.

Dizer “as costas”, ou seja, tratar essa parte do corpo como plural… será correcto?

É que, se bem me lembro, as costas são… só uma… e não duas! Portanto, o natural era que o nome fosse a costa, no singular. Certo...?

A minha amiga – queixando-se amiúde das intensas dores que ia sentindo – argumentou que as costas são compostas de duas partes: a direita e a esquerda. Eu, obviamente, discordei e disse-lhe para ir tomar uns analgésicos, que essa coisa de ver “lados” e “partes” diferentes nas costas passava-lhe logo que era um mimo!...

De facto, mesmo que, naturalmente, as costas tenham um lado direito e um esquerdo, isso não as tornam diferentes de uma testa ou de uma barriga, sabiamente apelidadas com nomes singulares (até porque “testas” e “barrigas”, nesse contexto, soaria pessimamente – há que dizê-lo).

Os casos d'os olhos, d'as orelhas, d'os pés, d'os braços, d'as mãos, d'as pernas (énde sóióne énde sóióne… énde sóióne…), a mim – e a toda a gente –, não me levantam qualquer dúvida. São plural e não se fala mais nisso.

Já o nariz… é composto de duas narinas, mas tem nome singular. Talvez não devesse. Talvez fosse mais acertado deixar só o nome das narinas, mas o “invólucro” nasal acaba por justificar a congregação das narinas num órgão só e, como tal, designado singularmente.

Um caso ambíguo é o d'o rabo. E falo de todo o espectro rabal e não só da cavidade localizada bem ao centro da coisa, ok? Ora… o rabo é composto (e até podia ter essa “desculpa”) pelas nádegas (também conhecidas, simpaticamente, como nalgas, nadegueiro e nalgueiro – que são denominações que eu gosto particularmente)… que são, claramente, duas e bem diferenciadas, não havendo junção congregadora (será que existe esta palavra? O Word não reconhece… mas a Microsoft que se lixe!...) num órgão só, como no caso do nariz.

Parece-me, então, tão descabido que o rabo tenha nome singular quanto as costas tenham nome plural.

Sim… eu sei… Às vezes até para mim é complicado tentar perceber porque é que perco tempo e desgasto a mente com temas tão pertinentes quanto este...!

MINInSenso




Aqueles papéis (talões de supermercado e de multibanco, por exemplo) que a malta encontra dobradinhos e bem vincados nos bolsos das calças, que ali ficaram esquecidos e foram parar à máquina de lavar... poderão ser considerados ORIGAMI?...

É que, se não... tudo ok, não vem mal ao mundo por isso. Mas, se sim,... quanto não é o dinheirinho que eu já perdi por não pôr a render tantas e tantas obras de arte que encontrei aos longos dos anos nos bolsos dos meus jeans, caraças!!!


€ncontrado




Entenda-se este InSenso como o simples materializar em discurso escrito de uma daquelas constatações parvas e inconsequentes que nos acontecem no dia-a-dia.

Ontem, à hora de almoço, mesmo antes de entrar no restaurante onde ia à cata do merecido repasto, deparei-me com a existência de uma moeda de 5 cêntimos “encaixada” entre duas pedras da calçada no passeio sujo e molhado (por causa dos aguaceiros que, de resto, marcaram todo o dia).

Confesso que estive “vai… não vai…” para me baixar e pegar a moeda, claramente perdida por alguém que dificilmente voltaria para reclamar a propriedade desse circulo acastanhado de metal (pouco) valioso. Mas não o fiz. Já estava tão perto da porta do restaurante (que, ainda para mais, ficava mesmo junto a um café super movimentado) que enjeitei dar-me ao trabalho de passar a vergonhinha de parar o meu movimento para agarrar, no meio das pedras do calcete, a moedinha que – apesar da crise que se vive – não me iria fazer assim tanta diferença na carteira.

De facto, deixei-a lá mas durante todo o tempo que demorou o almoço pensei no raio da moeda. Não que estivesse obcecado, nem nada que se parecesse. Simplesmente fiquei a pensar nesse pormenor que é o momento em que encontramos dinheiro perdido na rua.

Não está provado “cientificamente” (duvido mesmo que alguma vez isso tenha sido estudado, sequer) o efeito causado pela descoberta do “vil metal” (ou “vil papel”, que é bem melhor) perdido na via pública. No entanto, algum efeito (benéfico ou nefasto) terá certamente; tanto que ninguém fica indiferente ao achado de uma moeda ou de uma nota, sozinha e abandonada, obviamente a precisar de novo dono que lhe dê bom uso.

Eu diria (de forma InSensata, claro) que o referido efeito é positivo, já que a malta fica toda “inchada” ao descobrir dinheiro perdido. De outra forma, seria complicado explicar o alarido que frequentemente se faz numa rua movimentada, tentando afastar toda e qualquer pessoa que aproxima os pezinhos do carcanhol até se lhe pôr as mãos. O dinheirinho deve causar mesmo boa impressão…! Outros comportamentos “alegres” só explicáveis por um forte ataque de adrenalina: a malta gabar-se de ter apanhado… 1 ou 2 cêntimos do chão (é que, gabar-se, – digo eu – talvez só a partir dos 20 cêntimos mas de preferência só a partir dos 2€) e a crença de que o dia (e, quiçá, a semana toda) há-de correr melhor a partir dali, mesmo que logo a seguir venha um carro, passe com o rodado numa poça e nos molhe da cabeça aos pés… Enfim…

Outras opiniões dirão que o efeito é negativo; que a descoberta de dinheiro alheio (temporariamente sem dono) desperta nas pessoas comportamentos… dúbios. Quantas vezes não temos a oportunidade de observar (a mim dá-me muito gozo) aquele caramelo que vislumbra uma notita de 5€ ali “à sua mercê”, a 2 metros da mesa de esplanada e, calma e sorrateiramente, vai olhando em volta, com ar de quem vê em todo e qualquer outro ser humano um conspirador contra a sua pessoa, levanta-se devagar e não descansa enquanto não pisa (literalmente) a nota, momento após o qual se repara no ar de conquista, próprio do pior dos vilões. E isso não pode ser bom, de facto.

Terminado o almoço, à saída do restaurante, não podia deixar de tentar ver o que era feito da moeda de 5 cêntimos “encaixada” entre as pedras da calçada molhada e suja. Já lá não estava. Não ficou sem dono muito tempo, de facto. Desconheço qual a reacção do “descobridor” ao encontrá-la. Tal como desconheço se o efeito foi positivo ou negativo, se o gajo ainda se enaltece de ter agarrado a moedita do chão ou se fez uma “cena” de fuinha para a apanhar…

Na verdade, pouco interessa. Até porque este InSenso é só mesmo o materializar em discurso escrito de uma constatação parva e inconsequente… certo?...

Que quererá o meu gato?




A minha relação com o meu gato tomou, recentemente, um novo rumo. Pelo menos, é isso que me parece estar a acontecer muito embora a minha desconfiança não passe do resultado da observação empírica dos alegados sinais que o felino lá de casa me tem dado a conhecer. O que é como quem diz… não faço puto de ideia se o gato se passou ou não mas, pelo sim pelo não, mais vale a pena um gajo estar precavido, não vá… o gato tecê-las.

Ora bem… o que eu acho que se passa é que o gato anda a passar-me algumas mensagens subliminares para que eu as interprete e, consequentemente, venha a actuar em conformidade. Sim… o meu gato é assim uma espécie de sobredotado que só não comunica comigo via telepatia… porque simplesmente não lhe apetece. Ele até sabe e tal… mas é preguiçoso.

Esclarecendo o InSensato Leitor, tenho a dizer que, ultimamente, o MrJenkins (para quem não sabe, é esse o nome do meu excelso gato) mete-se dentro de tudo o que é caixa que apareça em casa. Grande, pequena… tanto faz. Se é caixa, é para ele se meter lá para dentro como se o mundo estivesse prestes a terminar e os últimos momentos tivessem de ser (por ele) passados a dominar o interior daquele paralelepípedo de cartão fechado por todos os lados, excepto por um (
vide imagem).

À primeira vez eu achei piada. Tal como achei à segunda, à terceira e igualmente da quarta até à vigésima oitava. Depois disso, a coisa começou a tornar-se preocupante. Isto porque a malta começou a questionar-se acerca das verdadeiras intenções do bicho ao enfiar-se desalmadamente em toda e qualquer caixa que entrasse em casa.

A conclusão a que cheguei foi a seguinte: ele está a pedir-me uma casota.

Parece-me mais ou menos claro que é isso que se está a passar. Talvez cansado de dormir no topo do sofá, ao fundo da minha cama ou, ocasionalmente (infelizmente, não tão ocasionalmente como isso), dentro do meu guarda-fatos, é muito provável que ele esteja a solicitar a aquisição de um espaço… dele, com privacidade e assim. Ou seja, ele clama é pela sua própria… independência!

Sim. Acredito que o meu gato me esteja a “exigir” que lhe dê independência, tal como aquela malta que vai arranjado estratagemas para dar a entender que, mais tarde ou mais cedo, há-de sair de casa para explorar o mundo, derrubar obstáculos, enfim… viver a sua vida. No caso, o gato começa por meter-se “inocentemente” em caixas e, mais tarde, já como uma casota, mete os papéis, diz que já tem idade para votar e torna-se um felino independente.

Pois… se assim é, caríssimo MrJenkins (eu admito que ele venha a ler este InSenso), tenho a dizer que temos o caldo entornado. É que, não tarda, há patinha estendida para mesada, para uma ajudinha na compra de uma mota a, claro, a pedir dinheiro para as propinas da faculdade (ah pois é!...) e aí… independência… que é feito dela?!? Han?!?...

Bom… vendo bem as coisas… se calhar (mas só se calhar!…) estou a exagerar uma bequinha…! Provavelmente, o raio do gato só se mete nas caixas por mero gozo… não…?



RENTRÉE



Já quase não vale a pena chorar de novo sobre este “leite derramado”. Não tive férias, não vou ter… é um caso perdido e não mais achado. Não há nada mais que se possa fazer acerca disto, infelizmente. No entanto, para quem tem férias (ou teve – porque, entretanto, o ócio acabou-se), há sempre uma realidade inevitável: a rentrée.

A rentrée – diz quem a vive – pode ser algo de tão agradável quanto o regresso ao convívio dos amigos, às festas, à folia… como tão deprimente quanto a volta ao trabalho, aos ofícios, às guias de remessa…

O que é certo é que toda a gente “rentra” (que é – no meu entender – a forma verbal mais correcta a usar; eu rentro, tu rentras, ele rentra,… não?...). A malta trabalhadeira “rentra” (atenção!... lê-se “rântrâ”) porque volta ao emprego. Os putos em idade escolar “rentram”, porque regressam às aulas. Os políticos (embora nunca se dê bem por isso) também “rentram”, pois voltam às lides mais activas dos comícios, da Assembleia da República, eleições e coisas desse género.

Aliás, essa rapaziada da política faz mesmo questão de celebrar a rentrée com engraçadíssimos comícios onde, em mangas de camisa, se mostram os quilinhos ganhos durante o tempo que se passou na Praia do Vau e o bronzezinho foleiro, típico de quem mais nada fez do que estar a borrifar-se para tudo o que é… crise, por exemplo. E é vê-los, a tentar pregar aos peixes (leia-se, gajos tesos como o carapau – como eu – que bem tiveram de trabalhar o verão inteiro, sem direito a férias nem compensações). Lá estão aos berros, do púlpito, de dedo em riste, a tentar fazer passar a imagem de indignação para com o «erros feitos» por todos os governos que não os da sua cor… Enfim… sempre a mesma coisa! Sempre o mesmo divertimento… só que em versão rentrée (sem dúvida, “muito mais” sofisticado!).

Também o Jet-Set tem a sua rentrée que, na sua essência, consiste igualmente no que fazem todo o ano… incluindo no verão! O que acontece, no caso desta malta é o seguinte. Durante 10 meses, eles vão às festinhas de Lisboa. Nos outros 2, eles vão às festinhas no Algarve. Quando chegam ao Algarve, eles fazem uma festa de arromba (a “Festa de Abertura Oficial do verão” – não se iludam!... o verão não começa a 21 de Junho!… só começa quando há a tal festa do Jet-Set!... Estes gajos não brincam…) e quando se vão embora, fazem também uma festa para “fechar a saison” – lê-se “cézõ” – mas claro que muitas outras ficaram pelo meio. No entanto, isso não lhes basta, porque a rentrée (que é para aí 1 ou 2 dias depois da última festa no Algarve) tem de ser assinalada… com mais uma “festita”, tal é a fomeca de copos, de “Cáturréira!!!” e fotografias de revistas cor-de-rosa que esta gente tem…! Impressionante!...

Indagar-se-á o InSensato Leitor (que é uma coisa complicada de fazer; indagar-se não está ao alcance de todos!…) por que raio abordo eu esta temática. Simplesmente porque, se toda a gente rentra… eu não rentro. Não tenho a chance de o fazer… porque não saí… para agora rentrar. Sim… eu sei. Pode ser considerado dor-de-cotovelo e assim, mas eu quero mais é que se lixe.

Um facto (apenas um; o resto são só palermices minhas) é certo. Hoje assinala-se a rentrée aqui no burgo. Que mais não seja, a rentrée dos InSenstatos Visitantes, ao longo do passado mês a banhos numa qualquer estância litoral ou interior, certamente, não visitada por este vosso amigo.

Bem-vindos a todos! Ou, melhor, bem rentrados sejam! Já sabem que para entrar não precisam limpar os pés. O parquet do chão do blog continua a ser fácil de limpar…!

Finito!!!



Em "homenagem" ao fim do meu padecimento estomacal, passado que é o stress digestivo de toda esta semana, aqui fica a Informação Nutricional por Porção de 10g (1 colher de sopa) de uma conhecida margarina (cujo nome possui as seguintes letras: B, E, C, E e L - não necessariamente por esta ordem) que, afinal, foi a minha grande companheira ao longo destes fastidiosos dias de torradas e bolachas crackers (vulgo, "de água e sal").

Valor energético - 32 kcal = 134 kj
Carboidratos - 0 g
Proteínas - 0 g
Gorduras Totais - 3,5 g
Gorduras Saturadas - 0,9 g
Gorduras Trans - 0 g
Gorduras Monoinsaturadas - 0,7 g
Gorduras Polinsaturadas - 1,9 g
Ácido Linoleico (Ómega 6) - 1,7 g
Ácido Linolénico (Ómega 3) - 0,2 g
Colesterol - 0 mg
Fibra Alimentar - 0 g
Sódio - 130 mg
Vitamina A - 90 mcg
Vitamina D - 0,75 mcg
Vitamina E - 3,75 mcg



Agora... que venham os bifes!!!...


Notííííííícias da Medicina





Da Coreia do Sul chega a informação de que uma equipa de investigadores está a fazer criação de… leitões. Os porcos em causa não são uns suínos quaisquer. São leitões (fêmeas) clonados para produzir uma proteína que serve para combater o cancro. Informações recolhidas junto de fonte próxima a esta investigação revelam que o processo está muito complicado, visto que as jovens porcas estão a falhar o objectivo delineado, ao que tudo indica, devido ao stress derivado da pressão psicológica que os investigadores sul coreanos têm exercido sobre elas. Alegadamente, estes animais são tratados como… porcos e diariamente lembrados (aos berros) de que têm de salvar o mundo. E isso dá cabo do sistema nervoso de qualquer um, como deve ser perceptível; pelo que já foram recebidos alguns pedidos de asilo enviados pelos leitões, estranhamente… para a Mealhada.

Na Universidade do Michigan (que é ali nos Estados Unidos, na estrada que vai de Alcácer do Sal para Santiago do Chile, virando à direita na segunda rotunda), descobriu-se que o chamado “efeito placebo” pode ser mais psicossomático do que se imaginaria. Afirmam os estudiosos daquela universidade que, afinal, «pensar em analgésicos diminui a dor». Só pensar! Ao que parece, quem faz esse trabalho de redução do sofrimento é o cérebro que desencadeia uma reacção fisiológica quando se pensa em medicamentos de redução de dores. Ora… isto parece-me ser uma boa notícia para quase toda a gente… excepto para a indústria farmacêutica, claro. Assim “à cabeça” lembro-me logo do caso da malta que, enfim, se droga e tal. Se pensar em metadona já fosse o suficiente para largar o vício das drogas duras, resolvia-se uma data de questões de criminalidade, o que não me parece nada mal. Por outro lado, pressinto que a mulherada possa ter sentimentos diferentes quanto a isto, já que lhes daria muito jeito que fosse só preciso pensar em Trifene nos dias mais complicados mas deixaria de ter a desculpa das “dores de cabeça” permanentes (estou mesmo a imaginar… «Ai estás com dor de cabeça? Pensa em Aspirinas! Vá… Pensa em Aspinas!!! Já passou, não foi? Ora vamos lá…!». Por fim, (a Pfeizer não deve ter curtido muito isto) não há dúvidas que há por aí muita malta que, já não conseguindo (ou não querendo) pensar em gajas mas querendo “papá-las” já pode resolver o problema, apenas pensado num comprimidito azul de vez em quando… não?... ok … isto é parvo!

A notícia mais extraordinária do dia, no entanto, vem do México. Baba de caracol tem efeito anticelulite. Fantástico! Ao que foi apurado no Instituto Politécnico Nacional do México, a baba do denominado caracol de jardim, devidamente recolhida e depois tornada num gel aplicável na pele humana, reduz significativamente a celulite, pois a substância viscosa contém aminoácidos, colagénio, vitaminas e alguns sais que, ao serem absorvidos pela pele, suavizam o efeito “casca de laranja”. Curiosamente, falando disto com algumas amigas minhas (sempre preocupadas com estas coisas de novos cremes anticeluliticos e regulares frequentadoras de ginásios e gabinetes de estética), consegui ouvir pela primeiríssima vez a frase bombástica «Prefiro ter celulite!», acoplada a uma outra, não menos singular: «Quê?!? Ranhoca de caracol nas minhas coxas? Deus m’a livre!!!». Confesso que, como homem, não percebo o porquê de tanto stress…

Fui afrontado!




Eu não devia estar a falar nisto, já que ainda vivo as consequências da maldita paragem digestiva e o meu estômago (pobre desgraçado) atravessa uma das piores fases de que tem memória (sim; o meu estômago tem memória!... é… especial, ele…!). Mas um gajo não pode facilitar e virar a cara à luta. Como “quem não se sente, não é filho de boa gente”, quando alguém é enxovalhado tem mais é que partir para o duelo. Sem medos!

A verdade é que – a “azia” (literal e figurada) que isto me causa!... – a minha palavra foi posta em causa e ousaram atentar contra a minha tolerância e a minha (quase sempre) boa natureza.

O que se passa é que, pouco depois de ter estreado aqui o estaminé, fiz questão de avisar que havia uma coisa que me fazia imensa confusão e que, por isso, deveria ser posto um ponto final na sua existência, para que não houvesse mais chatices. Falo da Morcela de Arroz, essa verdadeira aberração das variações culinárias, da qual de desconhece o inventor – o que é uma pena, porque assim sempre poderia chegar ao pé do gajo (ou de um qualquer descendente dele) e berrar-lhe a plenos pulmões e goelas: «Ó (falta aqui o nome, evidentemente)! És um asno!!!!».

Ora, tendo eu feito ver ao mundo que a Morcela de Arroz é uma simples “anomalia culinária”, o que havia a fazer era… acabar com essa merda.

Mas não. Na altura (e se o Insensato Leitor quiser perder tempo a verificar, basta clicar aqui), ninguém se manifestou. Ninguém veio em defesa dessa suposta iguaria. Ninguém levantou a garimpa. Ninguém… nada!

Qual não é o meu espanto quando, uma destas manhãs, abro o jornal e leio o seguinte título: «I Capítulo da Confraria da Morcela do Arroz”. Fiquei para morrer! Primeiro, porque ainda ando com o estômago às voltas e aquilo fez-me uma dor-de-barriga desgraçada; depois, porque me senti claramente desafiado e ultrajado.

Quer dizer… quando um gajo fala e tal… ninguém se manifesta. Mas é quando um gajo está sem estômago para aguentar certos e determinados vexames que eles atacam (e ainda por cima são logo uma data deles, os cobardes)! Formam uma confraria (juntam-se ao bando – de “amantes” da morcela adulterada – e chamam-lhe uma confraria… sabe Deus…) e fazem logo uma jantarada só com pratos de Morcela de Arroz, em jeito de provocação-mor!

O desplante desta gente é uma coisa por demais! É que o esquema é verdadeiramente demoníaco! Como se não bastasse o facto de ser uma confraria inteira contra mim, eles convidaram uma porradona de outras confrarias para aparecer na festa. Um convite que – por via das conhecida lealdade inter-confrade – ninguém pôde declinar. Ou seja, é um “mundo e outro” contra este InSensato Autor. Mas eu cá me hei-de aguentar!!...

Garanto que não estou para aturar estes energúmenos que veneram aberrações contra-natura e que mantenho a minha relutância e firmeza no ódio de estimação, tanto à heresia que é meter arroz na (sagrada) morcela, como ao seu (desconhecido) inventor, como ainda aos gajos que agora me afrontam, juntando-se em Leiria no próximo fim de semana.

Não era bonito se ficassem todos com uma dor-de-barriga daquelas “de antologia”?...

Toast for Dummies



À conta de uma severa paragem digestiva que me deu cabo do estômago (e do resto do corpo) nos últimos dias – a ponto de me mandar para a cama por umas horas valentes, sem ser exactamente para dormir –, venho por este meio aqui discorrer sobre uma temática que me parece ser suficiente para dividir a Opinião Pública (e – qui ça – a Sociedade no seu todo), visto que denoto haver acerca do assunto (como diria Gabriel Alves) um elevado índice de desconhecimento.

Daí que me tenha dado na telha elaborar um pequeno tutorial sobre algo que normalmente não faz parte do meu dia-a-dia mas a que fui obrigado render-me, fruto das circunstâncias (entenda-se, por causa de não poder comer mesmo outra coisa durante os dias seguintes à enfermidade). Torrada, esse alimento verdadeiramente salvador, tantas e tantas vezes incompreendido, principalmente pelos homens.

Segue-se então a minha versão de “Como bem fruir de uma torrada - em 6 lições” (ou, se for da preferência do InSensato Leitor, “Toast for Dummies”), por K@, InSensato Autor.

Lição #1
Pedir uma torrada num café ou numa pastelaria não é coisa de mariquinhas. Basta uma paragem digestiva ou uma gripe mais esgalhada que nos afecte o corpo todo para que até o mais machão dos machões se renda à evidência de que se a torrada existe é… para estas ocasiões. E sempre nos dá aquele ar de uma certa sensibilidade, que as mulheres gostam.

Lição #2
NUNCA pedir meia torrada! Isso, sim, é para os mariquinhas!....

Lição #3
Comer uma torrada tem de ser até ao fim. Nada de deixar a côdea por comer (nem muito menos pedir ao empregado que a torrada venha “aparada” – sem côdea alguma – porque é uma heresia!). Come-se tudo; só devem ficar as migalhas (que não aparentem – atenção – medir mais do que 0,2cm).

Lição #4
Agarrar a torrada é com a mão e não com o guardanapo. Até porque o guardanapo só atrapalha... e às vezes a malta acaba por dar é umas trincas no papel… e tal… ou se calhar isso é só comigo… não sei...

Lição #4.1
Se, por se agarrar a torrada à mão, os dedos ficarem sujos de manteiga, estes devem ser devidamente chuchados no final. Sim… é feio, anti-social e meio mariquinhas… mas sabe bem, porra!...

Lição #5
Se uma torrada não bastar (por exemplo, para os machos que começarem a gostar disto da bel’torrada na pastelaria), que não se hesite em pedir outra! Mas, se não houver dinheiro para mais, também não há problema. “Rouba-se” o que resta da torrada de quem vai com a malta à pastelaria (as gajas deixam quase sempre um ou dois “palitos” da torrada «por causa da dieta»; coisa de gaja que dá jeito… aos gajos).

Lição #6
(e porque a malta tem de tirar algum prazer disto, sem ser só o chuchar do dedo)
É absolutamente essencial deixar o melhor para o final. Ou seja, há que comer primeiro os “palitos” laterais e só no final os centrais, obviamente porque é lá que se concentra mais manteiga. Também é aí que o pão é mais fofo mas… gajos… NUNCA admitam que é por isso que deixam o centro da torrada para último; já que é por essas e por outras que o pedido da torrada na pastelaria é visto como coisa gayzola e, nesse caso, estas 6 lições lavradas com grande esforço… terão sido em vão.