15 de 95 = (+ ou -) 150

(InSenso de Serviço Público)

Quem tem a seu cargo as finanças da casa sabe muito bem que a Matemática que aprendemos na escola (com aquelas regrazinhas todas e tal) tem de ser “moldada” ao Poupança-Method diário.

Desde logo, a malta sabe que nem todas as operações parecem interessar para realizar as contas do dia-a-dia. Somar e multiplicar são coisas que raramente se fazem, a não ser quando temos de fazer somatórios daquilo que temos a pagar em facturas de água, gás, electricidade, tvcabo, telefone e Internet. Aí, sim, soma-se e até se multiplica. A partir daí… só se subtrai e divide. E isso é o que se faz… para aí em 25 dos 31 dias do mês.

Mas não é tudo. Quando menos pensamos nisso, damos connosco a fazer contas de cabeça e médias das maneiras mais estranhas possíveis, bem como a usar a lógica e umas quantas leis das probabilidades de formas bem mais… criativas do que aquelas que nos impingiram nos bancos da escola.

O exemplo maior disso é aquilo a que chamo de K@lculo Gasolineiro. Para dosear o consumo de combustível da viatura, faço sempre abastecimentos fixos – no caso, de 15€ cada – e ponho o conta-quilómetros (aquele para as viagens) a zeros. Depois vou fazendo as minhas rotas normalmente e, dali a uns tempos, há que ver quantos quilómetros foi possível fazer com essa gasolina. Regra geral (ou seja, se eu não tiver de andar “à maluca”) os 15€ de “gasosa” 95 dão para mais ou menos 150 quilómetros. Não está mal de todo… mas podia estar melhor… se os combustíveis não fossem tão caros. No entanto, para o caso importa apenas que quando o contador atinge os 100 quilómetros, já estou avisado de que dali a pouco tempo tenho de abastecer de novo. E assim a malta não é surpreendida com despesas inesperadas.

O que é giro (ou então… é só parvo) é que o K@lculo Gasolineiro pode ser adaptado a outras coisas que não combustível (com algumas mudanças pontuais, consoante o caso), para fazer a gestão de coisas tão variadas como comida e (!) papel higiénico.

Passo a explicar. Mantendo uma vida minimamente rotineira (convenhamos… todos temos uma vida minimamente rotineira), é possível fazer algumas previsões acerca de quando esgotarão os stocks de vários produtos. E já que a questão do papel higiénico lhe ficou a matutar na tola (eu sei que ficou!...), repare bem, InSensato Leitor, se não é fácil perceber para quanto tempo dá um determinado número de rolos. Dá, não dá? Obviamente, isto não se aplica a “fugas” à rotina – como o são dias de feijoada, por exemplo – que estragam as médias… a não ser que também aí haja uma certa rotina e se saiba de antemão que haja feijoada “x” vezes por mês. Nesse caso, volta a ser possível o K@lculo.

Caso queira aplicar a minha ideia ao seu dia-a-dia, faça favor e use-a. Não lhe vou cobrar nada por isso (muito embora desse jeito um rendimento extra). E fique desde já a saber que pode ser adaptada e aplicada não só a gasolina e papel higiénico, como também a detergentes, comida, desodorizantes, papel de impressora e até comida para o gato (ou cão, ou canário, ou iguana… enfim, acho que percebe que se aplica também à comida para o animal de estimação) e outros tantos produtos. Basta que comece a aperceber-se de quanto gasta numa semana… e depois é fazer as contas.

Depois diga-me se ajudou, ok?

Cueca no Quadro

Os temas dos InSensos vão surgindo com mais ou menos naturalidade. São coisas que vejo, que oiço ou que simplesmente me ocorrem, parecendo ser merecedoras de uma reflexão InSensata aqui no burgo. Ou seja, tanto há temas mais ou menos aprofundados – alguns mesmo repetidos, mas abordados sob perspectivas necessariamente diferentes – como há outros que nunca serão aflorados (nem sequer ao de leve)… porque, tão somente, não me ocorrerão.

Em consequência disso, de quando em vez, penso cá para comigo como terá sido possível nunca me ter lembrado de falar de “x” assunto, por tão evidente ser, por tão importante e vital ser trazido ao mundo da blogosfera. Pechas graves que sempre que possível aqui colmato. E daí nasce mais um InSenso, que há-de ser lido (ou não, se o InSensato Visitante desejar levar uma vida regrada e feliz), uma vez acedido o chamado Endereço URL (ou “úrle”… “úrlinho”, para os amigos) do site.

É o caso do InSenso de hoje que, inacreditavelmente, nunca aqui tinha sido abordado e que me “veio” (salvo seja) por via dessa tão óbvia questão que é… haverá hall de entrada de um prédio sem uma cueca exposta no placard da administração do condomínio, ali nos “arredores” das caixas do correio?

A minha opinião é que não. Isso não existe. Prédio que é prédio (e que goste de ser respeitado como prédio que se preza que é) TEM de ter pelo menos uma peça de roupa (se não mais), supostamente caída de um estendal de um dos seus andares, exposta no hall de entrada, para todo o “mundo” ver.

Constato eu que, mais do que um mero acaso (que eu até acredito que não o seja, de resto) é uma OBRIGAÇÃO do prédio – qualquer prédio – ter SEMPRE uma cueca, um soutien… ou, no mínimo, uma meia desportiva (com raquetes cruzadas e uma bola de ténis bordadas, juntamente com a palavra “sports”). Menos dos que isso é fracasso e o prédio não vale um chavo.

A teoria dominante para esta realidade é aquela do dia ventoso que faz com que as pequenas peças de roupa voem dos estendais directamente para a calçada em frente à porta do prédio, obrigando à recolha das mesmas pelo eficientíssimo método da “pesca por ponta de caneta” (claramente o preferido, seguido da “pesca manual com protecção de lenço de papel” e da simples manipulação da roupa interior alheia, sem qualquer artifício ou protecção que, sendo o menos popular, ainda assim é o de maior agrado para quem tenha nessa tarefa uma forma estranha de satisfação).

Mas, seja pela ventania, seja pela mola velha que se partiu ou por mera incúria de quem estende (mal) a roupa, a meioca do bebé ou o lenço de bolso bordado com as iniciais do proprietário lá vem parar ao quadro do condomínio. Faz parte. Se assim não fosse, como iriam os vizinhos conjecturar em surdina de quem seria a lingerie provocante vermelha transparente e rendada quando só há senhoras-bem no prédio, quem ousaria vestir o boxer justo estampado com casais nus em várias posições sexuais ou se a tanguinha leopardo com o pompom negro seria feminina ou masculina?

Lá está. Faz parte. É absolutamente necessário haver um mínimo de intriga em cada prédio, por mais respeitável que ele seja, ou que aparente ser. Aliás, eu adianto que nem só por “azar” estas peças de roupa “voam” da corda para a calçada.

Acredito piamente que há sempre alguém a querer fazer um pouco de propaganda sobre o seu repertório de roupa interior (há sempre algo de exibicionista em todos nós) ou que as administrações de condomínio lucram mais se, de vez em quando, houver confusão, bate-boca, porrada e, logo, danos a reparar nos corredores, escadarias, elevadores ou terraços dos prédios que gerem.

E uma cueca colocada estrategicamente no placard dos avisos pode muito bem ser o ponto de partida para uma algazarra daquelas bem esgalhadas, convenhamos.

Dream Dating

Sempre na senda de encontrar o “TAL” conceito vencedor que me leve à fama e/ou à “podre-riqueza” (sim… a malta quer ser podre de rica), eis que aqui venho apresentar o resultado do meu mais recente rasgo de criatividade inventiva.

Inspirei-me nos conceitos americanos de “Blind Date” e “Dating Agencies” (dois verdadeiros “must’s” estado-unidenses) e no facto de estar a dormir (ou seja, a pensar parvoíces desta maneira bem me posso queixar de não andar a dormir nada de jeito). Assim, uma noite destas, lembrei-me de que poderia, com alguma facilidade, resolver um problema de que muita gente se queixa: falta de relacionamentos, de carinho, de afectos… enfim… falta de tudo menos de solidão.

O conceito é simples mas – digo eu – poderá ter sucesso muito para além do que se possa imaginar por esta primeira “pincelada” que aqui deixo para os vossos InSensatos Olhos.

Já que, em alturas de solidão, muito boa gente fantasia imaginando encontros idílicos com as celebridades que vê na TV, nos filmes, nas revistas e até nos outdoor’s publicitários… nada melhor do que tornar essas utopias… “reais” a quem se vê privado da possibilidade de encontrar o amor. E é tão fácil, no fundo!

No futuro, tudo o que o/a interessado/a em passar uma verdadeira “Noite de Sonho com uma Estrela” terá de fazer é adormecer… embalado/a por um CD com sons de um programa romântico com uma celebridade à sua escolha. Encontro, jantar, bebida num barzinho calmo, um filme e, quem sabe, uma despedida à porta de casa, com direito a abracinho e beijo na face. Tudo num CD, fácil de adquirir num supermercado ou quiosque perto de casa.

Recapitulando, a malta adormecia e ia sonhar que esteve num encontro romântico com “x” estrela de cinema ou “y” astro do espectáculo, com um político (sim… há quem goste da cena do poder e tal) ou com o manequim que se passeia normalmente por Milão, Nova Iorque e Paris. Seria a tal “Noite de Sonho com uma Estrela”. E o nome não podia ser mais adequado, acho eu.

Sim… reconheço não ser totalmente original a coisa de fazer CD’s com sons para a mente adormecida, mas convenhamos que grilos, corujas, cigarras, passarinhos e gaivotas com som de ondas em fundo podem muito bem trazer calma mas felicidade não dão a ninguém. Já estes CD’s ajudam qualquer um(a) a sentir o carinho (ainda que fictício) de outrem, ainda para mais… famoso!

E as opções são infindáveis. Como em todos os dispositivos de som, as faixas poderiam ser seleccionáveis, por exemplo. Ou seja, o usuário poderia escolher se ia só jantar ou só ao cinema com o VIP escolhido. Mais… Se fosse alguém mais carente ou mais “aberto” a várias experiências, poder-se-iam fazer colectâneas com várias celebridades bem ao jeito de “Hit Parade” (neste caso, “Date Parade”, claro); nem só o CD podia ser o suporte da coisa, havendo possibilidade de compra desses conteúdos para iPod ou outros leitores (de mp3); e com um produto (o CD) podiam ser vendidas também as aparelhagens ideais para a audição dos sons noite fora (assim ao estilo de sistema de som recomendado).

É um negócio cheio de possibilidades.

Agora só falta começar a convencer as celebridades a participar ganhando cachet’s razoáveis e, pior que isso, convencer o Banco de que isto é um negócio à séria, para que os homens lá libertem o guito sem pensar que ando de mão estendida à cata de um apoio a fundo perdido.

Quanto ao resto, se um dia destes vir por aí publicidade dizendo algo como “Quer ter um jantar de sonho com a Floribella?” ou “Que tal um cineminha na companhia do Paulo Pires?”… já sabe… Trata-se do conceito (finalmente) vencedor de K@, InSensato Empresário, que há-de estar a caminho da ”podre-riqueza”.


PS(1): Perguntará o InSensato Leitor se a seguir à referida despedida «à porta de casa, com direito a abracinho e beijo na face» não poderia haver uma continuação mais... picante. Avanço desde já que não. Pelo menos, não nesta forma-base da ideia. Muito embora não esteja de todo colocada de parte uma versão "HOT" do produto agora pensado. Se der dinheiro...!


PS(2): Se esta invenção der certo, avanço logo para outra ideia do género: "Dream Traveling"... Que tal?...

InSenso inominável*

* - por mera falta de criatividade do InSensato Autor - que fique claro!


Pode ser um bom bocado de informação a mais para um início de texto (ou para qualquer hora e circunstância, pensando bem)… mas acabo de vir da casa-de-banho. E venho perturbado.

Não que alguma parte da minha anatomia seja assim de uma tão impressionante dimensão que me perturbe a mim próprio vê-la ou pegá-la. Não. Simplesmente (e não menos perturbador será admiti-lo neste momento) fiquei estarrecido quando, inadvertidamente, urinando, olhei para baixo e me pareceu ver que algo se escapulia pelo cano da sanita.

“Hmmmmmmm!!!...”, pensei. E depois deixei de galar o meu “instrumento”. Nãããã!!… estou a brincar. Dizia eu que, parecendo-me ter visto o que me pareceu ter visto, pensei “Hmmmmmmm!!!...” e pus-me a matutar.

O que seria aquilo? Por que se escapulia? Para onde iria? Seria real? Seria… plebeu (em oposição a real, claro…)? Seria um animal? Seria um mero objecto? Seria um resquício de algo… … ? Ter-se-ia escapulido por eu ter chegado? Teria alguma dúbia intenção? Quereria sair sanita fora?... ou teria só vindo ver as vistas?...

Tanta questão me coloquei naquela hora quase me esqueci de mijar, a verdade é essa. Mas lá tratei do assunto, esquecendo o “incidente” que me pareceu ter presenciado. Recordo que tudo isto poderá não ter passado de uma falha no sistema central informático da minha InSensata Tola, mas motivou o uso do telemóvel para recorrer à opinião especializada e avalizada de um amigo meu.

Como mero aparte, esse meu amigo é um especialista em tópicos tão variados como culinária nipónica e têxteis romenos, passando por iluminação de exteriores, fogos florestais, cinema independente e, claro, canalizações. Tudo porque já desempenhou tanta função em tanta profissão diferente que se tornou numa espécie de Nuno Rogeiro das banalidades técnicas do mundo quotidiano.

Ele assegura-me que, devido a uma imensidão de voltas, voltinhas, curvas, filtros, diafragmas, anilhas, colectores de impurezas e afins, não é possível que um ente estranho tenha surgido “do nada” para aparecer ali e bazado com a minha chegada. Lá está… seria possível se fosse algo que já lá estivesse, resultante de uma eventual incúria do “cliente” anterior; mas lá continuaria e sair pelo seu próprio “pé” seria simplesmente uma impossibilidade. Ou seja, a frase “Cá para mim andas a ver coisas!” resume a opinião desse verdadeiro expert das tretas do dia-a-dia.

Continuo perturbado, portanto.

Mantenho a ideia de que me parece ter visto ali algo a escapulir-se com a minha chegada. Mas, não sabendo o que era, o que ali estava a fazer, que intenções teria e para onde foi… não fico descansado. Estou em crer, no entanto, que a frase simplista do meu amigo (“Cá para mim andas a ver coisas!”) ajuda a uma certa descompressão, ainda que incompleta, acerca deste assunto. E lembro-me de outra expressão, talvez possível de aplicar à situação. “Don’t ask… Don’t tell…”. Teria sido ajuizado da minha parte, começo a desconfiar.

Não me tivesse eu indagado e não estaria com estes rodriguinhos e a dar voltas à cabeça. Não me tivesse ocorrido ligar ao meu amigo e não corria o risco que agora corro de o gajo dar com a língua nos dentes e andar a espalhar por aí que não tenho mais nada que fazer do que olhar para a sanita quando mijo, o que dará uma bela imagem de mim.

Enfim… tentarei de futuro não olhar, mesmo que isso implique falhar o “alvo”; tentarei não fazer juízos de valor sobre coisas estranhas que veja em casas-de-banho, urinóis públicos, cabines de prova em lojas de vestuário ou traseiras de prédios, armazéns e camiões TIR; tentarei não envolver terceiros em questões tão sensíveis como esta e, definitivamente, tentarei não conjecturar que haja entes esquisitos a passear-se nas sanitas que uso ou venha a usar… caso contrário… nunca mais uso um WC na vida!...

Mais vale relevar… Mais vale relevar…

Gostaste(s)…?

O reality-show Big Brother mudou Portugal. É como que uma frase batida mas é um facto. O país nunca mais foi o mesmo, desde que Marco, Zé Maria, Marta, Telmo e Célia entraram naquele T2 com muito boas áreas e um quintal com piscina a fazer inveja a muita casinha que se preze… não fosse, claro, o facto de a malta ter de ficar fechada lá dentro durante quatro meses, sem sair à rua para nada, nem podendo sequer cagar sem estar a ser observado por câmaras de televisão. Mas… lá está… Não há bela (casa) sem senão.

No entanto, o programa fez muito mais do que mudar Portugal. Levantou questões até ali não colocadas. E fê-lo de tal forma que – mesmo que o país não tenha reparado bem – ali algures entre os dois e os três meses depois do início da clausura daquela malta, a questão essencial surgiu. A pergunta para a qual sempre há resposta mas que nunca fica realmente respondida.


“Gostastes…?”


Bom… “pontapés na gramática” à parte… essa é a extrema e fulcral questão. E, até àquele momento (que alguns apelidam de romântico, entre Telmo e Célia), nunca o tema tinha sido tão mediaticamente abordado e divulgado. Pensando bem… ainda hoje me pergunto qual será a razão para o país não ter parado totalmente naquele instante, só para que pudesse ser debatida aprofundadamente a contenda. Não aconteceu, simplesmente. E eu não entendo porquê, até porque o futuro do nosso país ficou garantido logo nesse momento… mesmo que ninguém se tenha apercebido.É que, como já disse, a pergunta é, sempre foi e sempre será respondida, é certo. Mas sempre da mesma forma. Sempre com as mesmas palavras. Só não se sabe se com a mesma… sinceridade.

Caro InSensato visitante deste blog imbecil, recorra à sua boa memória. Alguma vez a resposta às perguntas “Foi bom?” ou “Gostaste?” terá sido “Não!”?!? Haverá conhecimento ou registo (escrito, oral ou fotográfico) desse insólito acontecimento? Haverá documentação que prove ou negue a existência de alguém que tenha feito essa insânia de responder negativamente a essa questão por demais sensível… e, se sim, a existir, se terá sobrevivido?
Na verdade, todo o equilíbrio do mundo (tal como o conhecemos) depende da resposta verbal “Sim!” (ou, no mínimo, de um leve aceno positivo, feito com a cabeça). Caso contrário, está o caldo entornado.

O exemplo que me ocorre é o seguinte.

Homem conhece mulher (ou vice-versa)… Homem corteja mulher (ou vice-versa)… Homem enrola-se com mulher (ou vice-ver… … … perdão… homem e mulher enrolam-se um com o outro…… assim fica melhor!)… No final, surge a pergunta, entre um suspiro de cansaço e a primeira passa no cigarro, entretanto acendido com o isqueiro até ali pousado na mesinha de cabeceira: “Então? Foi Bom? Gostaste?”… Resposta: “Nem por isso! Não!”… Resultado… Homem e mulher (na melhor das hipóteses) nunca mais se enrolam… Mas, por obra do destino, desse único “enrolanço”, surge a gravidez… Nasce um puto… Puto que terá mãe e pai separados (devido ao “Não!” da “hora H”)… Puto que será, obviamente, um ressabiado, sem amor-próprio… Puto que, estatisticamente, terá grandes probabilidades de vir a tornar-se num rebelde – primeiro – e num déspota ditador beligerante e cruel – depois.

No fundo, é isto. Naquele momento em que a pergunta surgiu, mais valia ter respondido “Sim! Foi fantástico!”, mesmo que tivesse sido a pior estucha de queca alguma vez mandada naquele hemisfério. Talvez o equilíbrio do planeta não fosse tão seriamente comprometido…!

Telmo, basicamente, só queria isso mesmo. Telmo, Inteligentemente – apesar de parecer estranho que este conceito (“inteligentemente”) surja associado ao nome de Telmo - apenas quis assegurar-se de que o mundo continuasse a girar no mesmo sentido de sempre. Célia, também de forma sensata – e mais uma vez, aqui se ressalva a estranheza da junção do conceito de sensatez ao nome de Célia – respondeu "Sim!" e ficou tudo bem.

Se isso não tivesse acontecido, estou certo de que o Big Brother teria terminado logo ali e as consequências futuras daí advindas seriam simplesmente horríficas e incomensuráveis.

A Irmandade dos Anéis

Na empresa onde trabalho perdem-se e acham-se com muita frequência anéis.

Para dizer a verdade, eu nunca perdi nem achei qualquer anel, nem ali, nem noutro local, mas apercebo-me com facilidade de que a situação se verifica repetidamente, tantos são os mail’s internos enviados para “ALL” que recebo no meu computador, alertando para o facto de ter ocorrido o desaparecimento ou a respectiva descoberta desse objecto circular, mais ou menos precioso, mais ou menos adornado, mais ou menos predilecto de quem o traz regularmente no dedo.

Mas… surge a dúvida… será que isso acontece mesmo assim?...

Como já disse, eu nunca vi nenhum dos anéis em causa. Vejo os mail’s (quase todos os dias – mesmo ao fim-de-semana – os há, dizendo algo sobre um anel perdido ou achado na casa-de-banho) mas ver os ditos… nunca vi nada.

Isso causa-me, obviamente, alguma estranheza. É que – digo eu – seria, no mínimo, natural que ao mail relatando o achado da jóia se seguisse… qualquer coisa. Um outro mail, dando conta do contentamento de quem viu recuperado o anel (e, já agora, do devido agradecimento a quem o achou – a bem da boa educação, claro), um grito de alegria, uma exibição do anelame a toda a malta da empresa com o seguinte discurso “apense”: «Olhem para ele aqui! O anel que eu perdi e que foi achado na casa-de-banho! Já não precisam procurar mais por ele porque já o tenho no dedo!»…

… mas nada! O mail chega, sim senhor… e não se passa nada. Nem “Ai!”, nem “Ui!”… nada!

Claro está que isso me põe de sobrancelha levantada e testa franzida, simultaneamente (o que não é fácil fazer… mas que eu até consigo, com algum esforço e dedicação… se a motivação for a certa também).

Penso eu que o mail do anel perdido ou encontrado não passa de um pretexto para algo maior e, certamente, mais dúbio do que simplesmente uma coisa interna simples de “perdidos e achados” no seio da empresa onde trabalho. Começo, portanto, a acreditar (dada frequência com que acontece) que o mail “Anel Encontrado no WC” se trata de uma espécie de código semi-secreto (mas só “semi”, já que toda a gente o recebe, embora eventualmente só alguns o compreendam).

E um código para quê?... Não sei. Até porque não uso anéis nem os mail’s me despertam grande interesse quando chegam. Apago-os logo. Mas, agora que penso nisso, os tempos são (modernamente) outros e aquela forma “boca-a-boca”, pela qual a Maçonaria, por exemplo, cresceu e prosperou, certamente já estará algo ultrapassada e esta forma de comunicação (e possível codificação) pode indiciar que uma sociedade secreta (uma espécie de irmandade… por que não?…) estará a nascer no tasco onde laboro.

A mim, muito sinceramente, não me parece nem bem nem mal. Mas como sou um gajo curioso e sedento de novidades, agora estou em pulgas para descobrir o que raio se passa com esses mail’s e com esses anéis que aquela malta perde e acha todos os dias. Bom… se isso me render alguma coisa, se calhar vou começar a entrar no emprego com anéis em tudo o que é dedo das mãos e pés (numa soma que, estimo, possa rondar… 63 – partindo do princípio que consigo meter 5 anéis em cada dedo das mãos e que a irregularidade dos meus dedos dos pés não me permite colocar mais do que um… ou dois em cada dedo)… para depois os perder todos… ou ir perdendo, de “moldes” a poder mandar mail dizendo que perdi ou poder perceber o que realemente acontece quando alguém achar algum anel que eu deixe “esquecido” algures na empresa… só naquela de experimentar.

Aí, sim, poderei ver se há mesmo uma congeminação, uma realidade paralela, uma sociedade secreta… uma “Irmandade (dúbia) dos Anéis” no local onde deixo o meu suor todos os dias.

Amanhã começa o meu investimento em bijutaria. Brevemente talvez aqui traga o resultado da minha investigação.

The Moon over Copenhagen

Desde que cheguei de Copenhaga – há pouco mais de uma semana – que tenho andado a finalizar o processo de mudança e instalação na casa nova. Algo que tem sido demorado e algo doloroso mas que, finalmente, está terminado. Estou definitivamente instalado no meu novo poiso.

Estaria agora tudo bem (e eu em condições de dizer isso mesmo) se não estivessem a suceder alguns “percalços” que ultimamente têm perturbado as minhas noites. Sonho imenso e a noite acaba por não render o descanso necessário para voltar ao trabalho no dia seguinte. E como de sonhos se tratam, facilmente estão esquecido logo que soa o barulho do despertador. Estão esquecidos todos os outros mas, feliz ou infelizmente, não o desta noite; talvez por ser mais estranho… talvez por serem agora 8 da manhã, o despertador ainda não ter tocado e a “rábula” ainda esteja fresca na mente, a ponto de ser relatada.

Fui à Lua.

É verdade! O sonho desta noite consistia nisso mesmo. Na minha ida à Lua, não sem alguns (muitos) pormenores bizarros e com todos os exageros que um sonho permite (e que, enquanto sonhamos, achamos estranha e perfeitamente normais… vá lá saber-se porquê…).

A começar desde logo pelo estacionamento do vaivém no parque do prédio onde moram os meus pais. Uma impossibilidade, não só – naturalmente – devido à incompatibilidade entre espaço de parque e tamanho da aeronave mas, acima de tudo, porque a vizinha do 2º andar implica sempre que um carro que não seja dos condóminos lá pára … quanto mais um vaivém…! Há mesmo casos documentados de arremesso de objectos vários e de despejo de águas sobre os "prevericadores". A senhora não brinca...

Depois, ninguém vai à Lua sem a mínima preparação, claro; mas eu lá estava, na tripulação, minutos após ter recebido a notícia de que ia integrar a missão (de que, já agora, nunca conheci os objectivos… ou se calhar… já me esqueci; de uma maneira ou de outra, não faço “puto de ideia” por que raio me meti numa nave espacial estacionada junto ao prédio dos meus pais…!).

Entretanto, a viagem lá começou, muito embora só me lembre da vibração do aparelho e de logo a seguir já me passear em solo lunar (enfim… atalhos só possíveis nos sonhos mesmo), onde tudo se tornou ainda muito mais bizarro. É que, aparentemente, na Lua há grandes… vinhas, cultivadas por alguém que lá foi e decidiu experimentar essa cultura por aquelas “terras”. O cultivo estava bem feito, sim senhor, as videiras devidamente apoiadas e as folhas viçosas… só não havia era uva. Desconfio que fosse por… ser na Lua!!!! Mas há mais. Ao fundo desse grande lote de vitiviniculturas lunares havia um pequeno barracão, onde tínhamos o meio de locomoção ideal para usarmos na Lua: … bicicletas!... Pequenas, nem sequer de todo-o-terreno, e com pneus fraquinhos que tolhia, lá esperavam por nós no barraco e nós lá lhes pegámos.

De repente, dei por mim de regresso à Terra. Mais uma vez, a nave estacionada junto ao prédio onde moram os meus pais (como raio é que o vaivém conseguia entrar e sair?!?) e uma polémica com um elemento da equipa, um homem de… 93 anos que se queixava fortemente por não ter recebido quanto ele esperava pela missão. Tudo isto bem no meio de um velório/funeral de não sei quem, mas onde a má disposição imperava, talvez porque… alguém tinha morrido ou então porque havia um jarreta de 93 anos a mandar vir com tudo e com todos (sem grande pudor ou sentido de luto) por causa de uns dinheiros que não tinha recebido como esperava.

Depois disto acordei.

O sonho já lá vai, a bizarria terminou e da noite só fica esta tremenda dor no pescoço (quiçá, fruto da violência da descolagem do vaivém… ou então só da fraca qualidade da almofada que agora uso… não faço ideia…). Agora é tempo de arranjar uma razão para a estranha noite ter acontecido… e eu acho que a culpa é dos dinamarqueses. Quem mais me poderia influenciar ao ponto de juntar bicicletas (e eles têm-nas às milhares em Copenhaga) e vinho (havia sempre um “representante” português nas cartas de vinhos dos restaurantes – regra geral o “Mateus Rosé”) num sonho passado no cinzento (e distante da Terra) solo lunar?...

Enfim… se calhar sou só eu que ainda não me adaptei à casa, à cama e ao travesseiro e, por isso, ainda perco noites a sonhar com parvoíces. Mas diz-me a experiência que é sempre bom ter um bode expiatório… para que um gajo se sinta melhor consigo próprio… e não tenha de fazer uma grande introspecção tentando perceber por que raio alguém sonha com vinhas na Lua (talvez ainda venha a ser um conceito vencedor… nunca se sabe…) e como seria possível uma nave espacial caber no parque lá do prédio!...

Jeg vil have ret igen!... *


* Volto Já!...

Para quê?!?...

*** Da afamada série de escritos «O InSenso e a Cidade» ***

Com a chegada de Setembro chegaram também os lisboetas, vindos das férias. A cidade mudou radicalmente… mas não para melhor. Aliás… pergunto-me a mim mesmo (e, já agora, a si também, InSensato Regressado de Férias) para que é que os lisboetas foram de férias?!? Ou… para ser mais exacto, para que é que eles voltaram?!?...

Para quem, durante cerca de dois meses, se deliciou com a facilidade de deslocação para onde quer que fosse (foi uma fantástica altura para aprender caminhos desconhecidos, sem grande stress nem engarrafamentos), agora há um sabor acre nos despertares seguidos do trajecto até ao trabalho.

Sim… com o retorno dos veraneantes alfacinhas, voltaram as filas de trânsito no IC19, 2ª Circular, A2, A5, Marquês e restante centro da cidade… enfim… em todo o lado. Consequência disso são também as buzinadelas que trazem stress à malta que buzina (e, acima de tudo, a quem não gosta de usar nem ouvir buzinas), a falta de lugares de parque e o maior gasto de combustível no pára-arranca. Pergunto… Para que é que voltaram?!?...

Ademais (que é – diga-se – uma palavra tristemente esquecida no nosso vocabulário), os lisbonenses voltaram… e não voltaram bem.

Uma passagem pelo centro comercial e uma manhã passada em guichets da EDP, Serviços Municipalizados de Águas e de distribuição de gás canalizado bastaram para perceber que essa malta que agora chegou de férias não está propriamente “na paz de Deus”… Longe disso!

Logo no centro comercial, foi fácil reparar nas meninas armadas em super-modelos com o mesmo ar enjoado e enfadado com que há uns meses rumaram (mais) a Sul. Ou seja,… as férias claramente não as ajudaram. Os putos também não lucraram muito com a fuga de Agosto. Regressaram parvos que tolhe… e voltaram para os seus melhores amigos: os comandos da PlayStation. Os senhores, esposos e namorados das meninas com ar de quem andou tempo demais no cacilheiro para Alcântara, vieram apagados, caladinhos e submissos como tinham ido… e os que foram brutos que nem uma porta a desatinar com a mulher e com os filhos por tudo e por nada… também assim voltaram. No news there either…

Já no meu périplo pelo “buro-inferno” (sim… sou burofóbico!...) o que percebi é que, tal e qual como antes do verão, anda metade do mundo a lixar a outra metade. E isso feito com afinco, com vontade, com empenho… ah!... e com umas trombas de primeiríssima água, há que dizê-lo!...

Ou seja, continua tudo como dantes. Tudo como em Janeiro, Março, Maio ou… Novembro. Tudo como antes da chegada do calor e da partida destes lisboetas mal-encarados que voltaram tão bestas (ou mais) do que aquilo que foram para férias.

Podiam ter descansado e recarregado baterias, podiam ter-se divertido e animado, podiam ter voltado bem dispostos e sorridentes… ou então podiam ter ficado por lá!!!

Isso é que eles tinham feito bem!... E a malta tinha agradecido.

E pronto!...

Agora que (por ora) já terminou a lufa-lufa da procura de casa ”nova”, é altura para fazer contas aos vários sucedidos de há cerca de duas semanas para cá.

Depois do “entendimento-desentendimento-entendimento-desentendimento” definitivo com Ramos – esse traste do meu ex-senhorio – foi tempo de mergulhar de cabeça, nariz e olhos (mas, acima de tudo, de pontas dos dedos – agora escuras da tinta) nas inúmeras páginas de classificados desfolhadas em tantos jornais nacionais, regionais e até unicamente especializados em anúncios de vendas, trocas, ofertas, procuras, encontros amorosos, massagem e, claro, também de arrendamentos de T0’s, T1’s, T2’s, anexos, garagens e outros tantos espaços de áreas diferentes (em m2, mas sempre «boas áreas», como se lê nos anúncios), descritos em duas linhas de letras por demais pequenininhas.

Ramos – esse espertalhão de meia tigela – quis porque quis dinheiro avançado como “caução”, mesmo antes da renovação de contrato…e a malta não deu. Como a gente assim – armada em esperta e de mão estendida – eu não costumo dar dinheiro, fiz-me à vida e comecei a comprar jornais.

Assinalei, com formas várias (bolas, quadrados, cruzes, setas e sei lá mais o quê…), muitos pequenos anúncios. Passei para folhas de rascunho imensos números de telemóvel de todas a redes e liguei para quase todos. Perdi essas folhas, desesperei, encontrei-as de novo, … desesperei… ao pensar na conta do telefone e na confusão que eram os meus dias. Deixei o meu número (que até tento que pouca gente conheça) a uma data de desconhecidos e acredito que agora faça parte de uma enormidade de listas de dados de agências imobiliárias – algumas delas, certamente, ligadas a operadoras de telemarketing que não tardarão a chatear-me o juízo. Tentei negociar casas que nunca vi, condições que nunca conheci bem, contratos que nunca seriam para assinar. Ainda assim… negociei.

Curiosamente, não foi naquela pilha de jornais (que depois dão um jeitaço na mudança das peças de loiça) que encontrei o negócio que acabei por fechar. Chegou-me por mail, sob a forma de sugestão. As fotos não faziam grande “publicidade” ao imóvel. Mas a renda era barata e um antigo estudante de Coimbra (habituado a casas/residências universitárias MUITO manhosas) não se atemoriza facilmente. Avancei. O negócio (que eu sei ser temporário) está feito e a casa até levou umas demãos de tinta, para disfarçar ali umas coisas de humidade que manchavam as paredes.

Para trás ficaram incontáveis curtas conversas telefónicas, esquisitíssimas, com pessoas de idade avançada e manifesta lentidão de discurso ou agentes imobiliários com a pica toda a falar a “100 à hora”. Todos com a “lição” decorada e palavras visivelmente repetidas vezes sem conta, inflexíveis na negociação de condições básicas para fazer de uma casa alugada minimamente “nossa”… enfim… vários diálogos de surdos, foi o que foi.

Já lá vão também visitas a casas inacreditáveis e outras bem melhores. Das primeiras saí rapidamente e já de nada me recordo. Das outras, já nem sequer queria sair… mas todas elas estavam alugadas ou custavam um balúrdio. Pena...!

Até respondi a um anúncio com informação de casas a excelentes preços; fui a um gabinete (muito sui generis e suspeito) onde tentaram enganar-me, pensando que era um “bókó” qualquer suficientemente crédulo para dar 150€ para ficar ad eternum à espera de que me encontrassem uma casa. Mas das mãos estendidas… já falei… e, aliás, nunca dei para esse peditório.

Agora vou para um casebre que são umas águas furtadas (ou melhor, várias arrecadações adaptadas para habitação) num 4º andar sem elevador e praticamente condições mínimas de habitabilidade… mas perto do mar.

Sim… vai ser um pincel levar as botijas do gás até lá acima e viver a impovsar até nas coisas mais básicas. Mas que se lixe. Não será por muito tempo (espero…), vou sentir o cheiro a maresia todos os dias e, mais importante que tudo, não vai haver Ramos – esse parvalhão – a chagar-me a cabeça todos os meses.