Código DaTransit



Quando tirei a minha carta de condução (já lá vão uns… quantos aninhos), o meu pai – motorista profissional, encarteirado e tudo – acompanhou os meus primeiros solavancos na transição do carro da escola de condução (a gasóleo e, por isso, muito mais simples de conduzir) para o nosso fantástico Fiat Uno 45, mítico carro negro – qual cavalo “Puro Sangue” – que abanava e tremia sempre que se passava dos 90 km/h (movido a gasolina Super – não aditivada, claro – e, obviamente, muito mais complicado de “domar” por um caloiro, como eu era na altura).

Desde logo, com a experiência só ao alcance dos verdadeiros profissionais, o meu pai foi partilhando comigo – enquanto eu tentava, em vão, fazer um bom ponto-de-embraiagem – algumas “pérolas” que um velho livro de código, pelo qual ele aprendeu os básicos do volante em Angola, aconselhava aos instruendos que o liam. Pequenas verdades que, não se pensando nelas, não são importantes mas que, para quem anda (conduz) na estrada, até fazem toda a diferença.

Por exemplo, aquela que mais rapidamente me vem à memória é esta: «Quando passares por uma bicicleta ou uma mota, deixa-lhe espaço para ela cair». Isto é de uma simplicidade genial, se repararmos bem. No entanto, não há nenhum Código da Estrada que ensine esta regra “de oiro” da boa circulação. Outra… «Numa estrada com bermas danificadas, esquece a regra de circular pela direita. Anda no meio da estrada que ninguém te paga os amortecedores que partires.» Bom… esta não vinha no tal velho livro. E actualmente, dada a politicamentice correcta que para aí vai, também me parece que esta “regra” (algo reaccionária, de facto) dificilmente figuraria num manual de código. Ainda assim, o meu pai sempre ma disse e eu sempre a cumpri, com resultados claramente positivos.

Seja como for, eu vejo com bom olhos a possibilidade da criação de um livro desses, caso alguém se lembre disso. Isto… a bem de uma competente uniformização das regras da boa condução… ou melhor… daquelas regras que todos (quase todos) praticamos e nenhum livro de código nos ensina.

Vejamos este caso… Em que livro de código aparece aquela cena de que devemos avançar quando o caramelo em sentido contrário nos faz sinais de luzes? Em nenhum! Pelo menos, que eu saiba…!

Da primeira vez que me fizeram isso, eu reagi logo com uns valentes vitupérios (não me lembro se em D3, confesso), porque pensava que o gajo me estava a chamar totó com aquela brincadeira das luzes. Eu não sabia… mas aquilo era uma “regra”… que ninguém me tinha ensinado. Aí… foi o meu pai a chamar-me totó! «Toma lá que já lá levaste!...»

Bom… eu agora ando com muito pouco tempo e não posso aventurar-me na edição de um Código da Estrada, revisto e aumentado, com as tais “regras implícitas” da nossa circulação rodoviária, embora me pareça um conceito vencedor e que possivelmente possa vir a dar bom dinheiro quem decida pegar na ideia.

No entanto, lanço já (aos olhos desse “alguém” que se interesse pelo tema) duas regras (que são um 2em1: uma regra aplicável de dois modos diferentes, consoante a situação) para um primeiro draft do livro. É que, parece-me a mim, que aquelas coisas pintadas no chão (a que, amiúde, chamam de girafa, embora não se pareça nada com o raio do animal), as passadeiras, tem muito que se lhe diga e cada vez mais reparo que há uma “regra” instalada na abordagem do/a condutor/a às ditas e também nas situações em que nos deparamos com o atravessamento da faixa de rodagem por um pedestre, fora da “girafa”. Aqui vão as regras que proponho:

«Se fores homem, os gajos que se lixem mas deixa as mulheres passarem a estrada à vontade (na passadeira ou fora dela). Tu ficas bem visto e o traseiro delas também»

«Se fores mulher, livra-te de deixares alguém passar a estrada. Até porque tens sempre motivo para te negares. Se o transeunte for mulher… é concorrência (e tem de ser aniquilada); se for homem… nenhum ser macho merece tal delicadeza de uma senhora»


Dois simbólicos contributos da minha parte, que podem inspirar quem, dos InSensatos visitantes, quiser contribuir no início do rascunho deste livro. Que não se faça rogado!... Depois eu peço aos editores para colocarem menções aos nomes da malta como “co-autores”. Que tal…?

4 inSensinho(s) assim...:

Ana disse...

Eu acho que não devia ser proibido apitar, até porque nós, mulheres, sem buzina, não me parece que consigamos andar no trênsito... Sim, porque o que faríamos quando estamos numa fila já há uns tempos e aparece, vindo não sei de onde, um macho de bigode farfalhudo e sem mais nem para quê se põe à nossa frente?? Temos que Piiiiiiiiiiiiiii.. (já se for um adónis... a reacção talvez seja outra!)...
Mas adiante! Os carros das mulheres deviam ter pelo menos 2 buzinas, a normal, e a de 4 tons (muito utilizadas em casamentos...) uma para insultar e outra para dizer "olá" aos fofos..

so disse...

apitar e fixe! lol

eu nao sabia, mas os ingleses.. caramba! os gajos conduzem como cabras histericas - provavelmente devido a sua dieta alimentar de 24 horas de cerveja... :P

dassseee...

cm disse...

afinal da estrada tb se tira bom humor...será?
bigado

Miguel de Terceleiros disse...

Se vires uma mulher ao volante e fores peão esconde-te pois lá diz o ditado:
Mulher ao volante perigo constante.
Os ingleses têm um similar para quando estamos no lugar do morto ou atrás delas:
Woman at wheel patience of steel.