Calimero – Versão 2.Pffffffffffff

A vida tem, amiúde, contornos de injustiça para (quase) todos. É uma daquelas verdades imutáveis e inquestionáveis (embora não forçosamente dogmáticas nos seus cánones...). Não há quem não se queixe – pelo menos uma vez na vida – de que algo de injusto lhe aconteceu ou de que já ia dando jeito os pesos da balança penderem para o “justo” (quem se queixa) em vez de ser sempre para o pecador (todo o resto do mundo). E isso não há ninguém que não o faça, ainda que negue fazê-lo.

"Injustiça!!!". É, certamente o que clama quem chega junto do carro estacionado na avenida ou no parque onde a viatura fica todos os santos dias (e nos outros também, já agora) e se depara com uma, duas, três ou até (num dia “bom”) quatro rodas “em baixo”. Pneu(s) vazio(s), jante(s) no chão, pipo(s) intocado(s) e um belo de um rasgo em cada um dos pneumáticos em causa. Julgará, sem surpresa, o proprietário do automóvel (e, consequentemente, das rodas também) que o cenário é de uma profunda, muito profunda, injustiça. E talvez até julgue bem… ou então, nem por isso.

A verdade é que nunca ninguém toma o partido de quem, efectivamente, de navalha em punho, faz os rasgos nos ditos pneus, pois não? E isso também é, de certa forma, injusto… ou estarei enganado?

Todos nós optamos sempre pela via mais fácil. Culpabilizamos, “crucificamos” e condenamos (sem direito a defesa) os furadores de pneus deste mundo. E por quê? Porque, alegadamente, o que estão a fazer é… mau, incorrecto, no fundo... injusto para quem fica financeiramente prejudicado com o “raid” ao pneumático. Talvez a coisa não seja assim tão linear.

Ou melhor, até pode ser mesmo assim, tão linear, mas também não custa tentar ver outra razão para haver malta especializada na perfuração de rodas de automóveis, a um nível quase profissional. Chama-se fazer de "Advogado do Diabo". De vez em quando, faz bem.

Imaginemos, então, que o “fura-pneu” é… sei lá… um activista.

Não é impossível que o intuito (o móbil, portanto) da acção seja, por exemplo, o desejo (legítimo, se visto por um determinado prisma) de libertar o ar preso - contra a sua vontade - no pneu do automóvel. É que, pensando bem, o ar das rodas dos carros tem tanto direito de ser livre como o resto do ar que anda por aí, “soltinho”, na atmosfera. Quem fura pneus pode não querer mais do que ser, no fundo, um justiceiro. E, se assim for, essa rapaziada está a ser, ironicamente, … injustiçada.

É certo que aqui se intromete a cena dos miúdos que furam os pneus dos carros dos professores que lhes dão más notas e dos “encornados” (gajos e gajas) que se vingam nos automóveis dos “encornadores” adúlteros (gajos e gajas) deste mundo. Esses, com certeza, não terão em mente o bem-estar do ar oprimido… e comprimido nas rodas de um qualquer VOLKSWAGEM POLO, estacionado à beira de um bloco de prédios de habitação, ali para os lados do Lumiar.

Ainda assim, há que pensar que, como em tudo, não se pode julgar o justo (o tal furador de pneus, determinado em libertar – com justiça – o pobre ar dos pneumáticos) pelo pecador (essa malta ressabiada por demais com a vidinha que leva). Isso seria... injusto.


* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Caro InSensato Leitor:

Quando encontrar o seu carro com as rodas devidamente furadas… talvez seja bom pensar um pouco nisto.

3 inSensinho(s) assim...:

ah e tal (c) disse...

Jà agora também íamos beber um cafézinho com o gajo que fura os pneus pq secalhar o tipo só queria a nossa atenção...

é uma boa desculpa essa, queremos ter sempre ao lado uma pessoa que dê esse apoio moral sempre que se verificar essa situação...
O mundo pareceria menos injusto e mais leve, sem dúvida...

è tudo uma questão de perspectiva ahahah

O Vizinho disse...

Fico sempre esmagado pelas pujantes realidades sobre as quais divagas nos teus posts...
O ar aprisionado nos pneus é sem dúvida alguma um caso que deve ser tratado sériamente.
E ás tantas, vai-se ver bem, nem sequer se lembraram disso no protocolo de Quioto !
Palhaços!...

O Vizinho disse...

Corrige-me se estiver errado mas há tempos contaste aqui a história de uma aranha que todos os dias fazia uma nova teia no retrovisor do teu carro e de como ela te conquistou o respeito e até alguma amizade.
Há duas semanas aconteceu-me o mesmo. Uma aranha teceu uma teia no meu retrovisor esquerdo. Eu limpei a teia mas no dia seguinte estava lá de novo. E eu limpei outra vez. No terceiro dia lá estava uma nova teia. Fui buscar o insecticida e asunto arrumado.

É só pra saberesw que à minha maneira também sou um gajo sensível, e tal...

PS: isto vai dar post