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Captain Hook'ed


Ganchos de Cabelo, esse drama masculino.

Não no sentido do seu uso (quem os usa, não será certamente macho, logo não sofre com esse drama) mas sim de tudo o resto, desde a arrumação ao manejamento desses minúsculos objectos de utilidade diametralmente diferente, dependendo do ponto de vista: masculino ou feminino.

Exceptuando aquela coisa (cada vez mais rara, porque os serralheiros e criadores de fechaduras não são parvos) de um eventual uso como chave-mestra com o fim de assaltar e assim chegar ao dinheiro fácil, o gancho do cabelo é só um objecto estranho para qualquer gajo que se preze. Já para a mulher, não, bem pelo contrário.Aliás, por muitos ganchos de cabelo que uma mulher tenha, cada um parece ser mais importante que o outro, muito embora sejam todos muito semelhantes ou mesmo iguais. A minha mulher tem dezenas (até provam em contrário – admito que possam ser centenas mas não tenho provas disso – digo apenas "dezenas"). À excepção da cor (uns quantos brancos, outros cinza escuros, um ou outro de cores mais garridas mas quase todos pretos) e de escassos milímetros de diferença em tamanho, os ganchos que vejo em casa são todos "gémeos perfeitos", ou quase. Daí que quando a minha mulher há uns dias me perguntou – logo a seguir a ter mudado a mobília toda (cama, mesas de cabeceira, camiseiro, baú e tudo mais) sozinho do nosso quarto para um outro, já com vista à criação do quarto do nosso rebento – pelo gancho que ela usa «normalmente com o casaco vermelho», eu tenha entrado um bocadinho em pânico. Porquê? Porque tinha guardado todos os ganchos que vi espalhados pelo quarto, indiferenciadamente, numa pequena caixa de prata que ela tem na mesinha de cabeceira e o modo como me perguntou por aquele gancho específico levou-me a crer que o mais certo (para além de eu ter a obrigação de saber qual era, exactamente) era tê-lo guardado num saco de veludo, isolado de todos os outros, para quando a minha mulher precisasse dele, estivesse 100% relaxado, massajado, reluzente e livre do stress por contacto com outros ganchos. Quando lhe respondi que os ganchos estavam todos juntos naquela caixa de prata, percebi que tinha errado clamorosamente e que a história do saco de veludo se justificava por inteiro. "A lesson taken is a lesson learned".

Perante isto, já me consciencializei de que tenho de cultivar nesse campo. Vou munir-me de uma lupa de qualidade e examinar cuidadosamente todo e qualquer gancho de cabelo que encontre em casa, para catalogá-lo e guardá-lo no seu devido lugar, evitando problemas futuros. Mas atenção! Ao contrário do que o início deste texto possa deixar induzido, o facto de querer conhecer a fundo tudo o que se relacione com ganchos de cabelo não me tornará menos macho, porque não os vou usar. Torna-me, sim, um macho prevenido. E um macho prevenido – sempre se disse – vale por dois.

blá, blá, blá... glu, glu, glu...


Conversas entre homens e mulheres são sempre situações delicadas, que requerem alguma diplomacia de parte e parte. Por exemplo, se uma mulher fala para um homem, o homem tem de ter o cuidado de a deixar falar até ao fim; já se é a vez do homem falar para a mulher, a coisa difere um pouco, porque a mulher irá sempre interromper o discurso quantas vezes achar que o deve fazer (e, quando isso acontece, aplica-se o primeiro caso que mencionei, quando uma mulher fala para um homem).

A observação destas regras básicas são o primeiro passo para que uma conversa homem-mulher resulte. Mas há outras. Refiro uma: dá jeito que nenhum dos interlocutores opte por abordar assuntos desconfortáveis à outra parte. Caso isso aconteça, se for a mulher a abordar um tema incómodo ao homem, o homem normalmente cala-se e a conversa acaba logo ali; se for ao contrário, a mulher começa a discutir desenfreadamente a conversa nuuuuuunca mais acaba. Isto está provado cientificamente.

Obviamente, há sempre excepções que confirmam a regra das excepções à regra. No caso mais recente de uma conversa minha com um elemento do sexo oposto (tida há poucos minutos), a abordagem por parte dela de um assunto incómodo para qualquer homem como é o da disfunção eréctil obteve da minha parte uma reacção imediata.

Pessoalmente, acho que se fala pouco de empadas de peru. Sofrendo impiedosa e injustamente do maior peso de apoio popular à empada de frango, a empada de peru não tem (nem nunca teve, até hoje) a projecção e o reconhecimento que merece. Ninguém parece importar-se, lamentavelmente, com o facto de a empada de peru ser igualmente boa ou até melhor iguaria que a empada de frango (algo que se passa também no comparativo entre empadinhas de peru e empadinhas de frango). Não. Só se fala na empada de frango e nunca na empada de peru. É tempo de dizer “Basta!” e colocar, finalmente, a empada de peru no “mapa da 1ª divisão” dos destaques da alimentação portuguesa.

É disso que, realmente, importa falar. Agora… de disfunção eréctil…? Pfffff!...

= = = = = = = = =


PS: para mais informações acerca de como fazer boas empadas de peru, sugiro ESTE post no blog “Receitas da Filipa”.

we are the... koiso!...

Hoje, meio "do nada" - até fiquei atordoado -, surgiu na rádio esta canção, que me lembrou que sempre tive uma data de dúvidas acerca dela (que deixo escritas logo abaixo da janela seguinte e que, de resto, podem ser acompanhdas à medida que o videoclip avança).





- Antes de mais... Como é que esta malta (com as agendas complicadas que têm) se conseguiu encontrar toda no(s) mesmo(s) dias(s), no mesmo local?! É algo simplesmente notável!... a não ser que a pós-produção de vídeo já na altura fosse muito boa e, na verdade, esta rapaziada tenha lá ido à vez e a cena de aparecerem todos juntos seja um grande e belo embuste.

- Sempre achei giro aquele exercício de tentar dizer o nome dos artistas todos, à medida que iam aparecendo no videoclip (assim como se estivéssemos num concurso televisivo): «Olha o Lionel Richie... e o Stevie Wonder... e o Paul Simon... e o Kenny Rogers... e... aquele... o coiso... ah!... e a Tina Turner!... e aquele gajo que está ao lado dela... o Billy Joel!!! Yes!!! Sou o maior por saber o nome desta malta toda, pá!... E olha também... aquele... o coiso... aquele que cantava aquela do nãã-nãã-nããããã...»

- Outra coisa lixada. Porque é que o Michael Jackson (vendo o Kenny Rogers vestido com uma sweat-shirt da campanha USA fom Africa) foi vestidinho com aquela roupa horrível que ele usava nos vídeos da época do Thriller e tal?! E aquela luvinha na mão direita a brilhar (e tudo o resto a brilhar também)... o que era aquilo?!

- Ah! E, já agora, a Diana Ross (que também lá estava e na altura era quase uma mãezinha para o Michael Jackson)... será que depois de tudo o que já se passou... ainda se dá bem com o "Jacko"?...

- E o Willie Nelson?! Se estava pedrado (como está sempre), disfarçava bem como o caraças neste teledisco! Pergunto-me se estaria mesmo "limpo" ou se só teria fumado uma brocazita "inocente", atrás de uma coluna, à espera da vez para cantar a seguir à Dione Warwick?...

- Quando o Bruce Springsteen começava a cantar, questionava-me sempre qual seria o problema dele: mal-estar de barriga?... caganeira?... dor de dentes?... garganta inflamada?... A 100% o homem não estava de certeza... Ninguém canta assim porque quer...

- Há ali um trio (um de barbas, um cabeludo e um de trufa loira)... que não faço (nem nunca fiz) a mínima ideia de quem fossem. A dúvida mantém-se.

- Será que a Cindy Lauper assustou a malta toda com a cabeleira amarela e os berros? A mim, assustou... (Ah!... E ela tinha estado a fumar com o Willie Nelson - disso tenho a certeza!)

- Outra cena que sempre me fez confusão. Mesmo partindo do princípio que estivesse mesmo lá toda a gente... como é que o Ray Charles e o Stevie Wonder deram com o sítio?! (tiveram de ir à boleia, obviamente; de caminho, também dava jeito saber quem levou os rapazes e como se organizaram todos em termos de boleias, para poupar no combustível e ser mais fácil o parqueamento junto ao estúdio)

- Afinal, quantos Jacksons estavam neste clip? Eu aposto em 324!

- Espectacular! É notável como nesta música dá para se perceber TUDO o que o Bob Dylan canta! Se calhar, foi antes de se juntar ao Willie Nelson e à Cindy Lauper atrás da coluna...

- Parece-me ver Harry Belafonte lado-a-lado com Dan Aykroyd... Por terem "tanto" em comum, pressinto que terá sido uma coisa de "one time only" mesmo.

- E outra vez o tipo das barbas, caraças! Quem será o gajo?!...

- Uma nota final. Eu acho que esta canção trouxe mais problemas que benefícios. Parece-me que o facto de se juntar num mesmo refrão as frases "We are the children" e "So let's start giving" terá dado azo a certas coisas que o Michael Jackson terá feito nos anos seguintes, confundindo o inicial intento da letra. Creio que vale a pena pensar um bocadinho nisto e tirar as devidas ilações. Até agora, ninguém o fez.

Está muito na moda agora!...*


A frase diz tudo. A assumpção de que algo é bem visto a uma dada data (já reparou, InSensato Leitor, o quão giro é dizer “dada data” em voz alta…?) traz com ela a máxima que resume tudo nessas belas cinco palavras.

Aliás, a verdade é que está sempre alguma coisa (muito) na moda, agora ou em outra qualquer altura. Noutro qualquer “agora”, portanto. Por isso, será… quase justo dizer que a frase é logicamente verdadeira ou verdadeira baseada na lógica. Errado! Não é!

O que está na moda agora… deixa de estar na moda… mais tarde. No tal outro qualquer “agora”, portanto. E isso, logicamente, retira à frase a tal verdade baseada na lógica. É triste dizê-lo… mas é verdade.

Por exemplo, está muito na moda agora andar de iPod ligado, com os respectivos auriculares nos ouvidos, por todo o lado, não ouvindo nada que venha do mundo exterior ao “universo iPod”, que entra pelos ouvidos e se passeia pelos meandros da cabeça sem que se saiba bem por onde sai (muito embora eu desconfie que sai pelos olhos… mas não consiga provar). Ou seja, está muito na moda agora a malta alhear-se do mundo, marimbar para o que se lhe diz, em troca de uns acordes bem malhados que entram cabeça-dentro por uns auscultadores brancos (ou, mais recentemente, da cor... do arco-íris) e não se sabe bem por onde saem.

Um dia destes, isso há-de deixar de estar na moda. Pelo menos, espero eu que assim seja. E há-de deixar de estar na moda porque o resto do mundo, ignorado que é por quem anda para todo o lado com o iPod ligado, vai chatear-se, mais tarde ou mais cedo. E vai exigir que o raio dos auscultadores deixem de estar permanentemente enfiados nos ouvidos de com quem precisamos de falar. Está muito na moda agora… mas um dia destes…

Outro exemplo. Também está muito na moda agora ir a restaurantes de sushi e beber e comer coisas light mas acredito que, por ser tão bom, tão bom, tão bom… as belas idas a tascas com aquele cheiro entranhado de gordura para comer fantásticos cozidos à portuguesa, regados com uns belos tintos (ou moelas, ou pregos, ou bifanas, ou um belo pica-pau)... até termos de desapertar o cinto e o botão de cima das calças há-de voltar a ser um “must”. Isso, sim, nunca estando muito na moda, estará muito na moda agora… e sempre.

Se nada disto estiver a fazer sentido… porreiro!

Porque eu acho que está muito na moda agora não fazer sentido no que se diz e escreve. Resulta para os políticos, para os cronistas sociais e para mais uma data de gente – tipo… a malta dos blog’s – que se orgulha de proferir palavras sem nexo num qualquer meio de comunicação ou de um qualquer púlpito. E, se está muito na moda agora…!

PS: O texto (que eu próprio escrevi) levanta-me uma dúvida. Estar muito na moda será o mesmo que estar muito na berra?!? Se é ou não é, na v erdade, não me importa muito. Só é chato que eu próprio me enrodilhe com coisas que escrevo...


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* texto escrito a 1 de Agosto de 2007 e nunca publicado... vá lá saber-se por quê!... Volvido todo este tempo - mais de um ano - talvez o próprio tema já tenha passado de moda. Se sim, isso só ajuda à causa do texto, convenhamos.

olha que bem!


Acabo de me aperceber que o meu microondas é Samsung, tal como o novo telemóvel.

Estou muito contente por descobrir isso, porque as chamadas entre os dois aparelhos devem ser uma bagatela!

de vez em quando...


... dizem-me: «Tu és um bocado criança!»

Eu, a isso, respondo: «Não sou! Não sou! Não sou! Não sou! E NÃO SOU!!!! E se continuas a dizer que sou criança vou chamar o meu primo que é GNR e vais ver como elas te mordem, ouviste?!»

Penso que, desta forma, a coisa fica bem resolvida e de forma célere, ficando também mais que evidente que não há pinga de criancice por estas bandas.

The New MobiK@


É. Há nova tecnologia (de ponta, pelo menos, na ponta da canetinha que vem com o equipamento para activar o touch screen) nas "K@municações Móveis". O novo telemóvel - dizem-me - tem centenas de funções, gadjets e maluquices... tudo lá dentro, para deleite (usar as expressões "tudo lá dentro" e "deleite" tão pertinho na mesma frase é obra!... especialmente quando se está a falar de telemóveis!) de qualquer tipo que curta uma nova maquineta a explorar. Eu, em dois dias, já lhe descobri umas boas dezenas de funcionalidades catitas. GPS, fotografia 5 MegaPixel, ecrã táctil, MP3, FM, Office Mobile, e-mail... e mais uma data de coisas. Agora... só espero que também dê para fazer e receber chamadas. Tirar bicas e lavar os vidros cá de casa, por exemplo, sei que será só uma questão de tempo... e treino. Sim... porque inteligente como demonstra ser, se eu lhe ensinar benzinho, daqui a tempos nem o jantar diário preciso de fazer, que ele trata de tudo. Pelo dinheiro que gastei... é bom que trate mesmo!...

dúvida que, se calhar,
nunca verei dissipada


Esta manhã, pus-me a pensar nisto e, desde então, ainda não consegui encontrar uma resposta para a seguinte questão:

Para um homem, quantas vezes por dia são as necessárias e/ou aceitáveis para verificar (com o recurso, no mínimo, a um subtil controlo manual) se a braguilha está aberta?

A Guerra dos Comunicantes


Tenho seguido com particular interesse a mais recente polémica do meu prédio. Na verdade, é sempre bom estar ao corrente de qualquer polémica, principalmente quando se passa no edifício onde se vive. Digamos que dá jeito.

Tudo começou há uns meses, quando, certamente por falta de quórum em reuniões anteriores, a administração de condomínio lançou um comunicado (que mais não era do que uma convocatória – alguém na administração confundiu os dois conceitos, lamentavelmente) que foi colado no interior dos elevadores do prédio (há dois, lado a lado). Não sei se a reunião seguinte teve quórum mas, na minha opinião, aquele primeiro “comunicado” era desde logo um mau prenúncio, visto que gosto tanto de reuniões de condomínio que convocar-me para uma só pode ser comparado a algo como tentar convencer um vitelo a visitar um matadouro.

Como já disse, não sei se essa reunião de condóminos teve o quórum desejado pela administração (obviamente, eu não fui; nunca vou) mas sei que, mesmo que tenha tido, há um problema de comunicação entre os moradores do meu prédio, não resolvido (nem resolúvel) em qualquer reunião. Em consequência disso, aparentemente, há muita coisa que fica por dizer entre vizinhos. Ultimamente, então, tem-se percebido que a coisa é mesmo séria.

Há umas semanas, foi colado um novo comunicado nos elevadores. Alertava-se os moradores do prédio para a necessidade de se fechar sempre a porta do átrio, porque o contador da água do rés-do-chão tinha sido (e passo a citar) «roubado» (fim de citação) por alguém que se aproveitou da porta não ter sido convenientemente fechada durante a noite. No entanto, pouco tempo depois, alguém escreveu à mão no fundo da folha impressa, a bem da exactidão dos termos jurídicos a usar numa ocasião destas, «O contador não foi roubado, foi FURTADO!». E, depois disto, mais gente (caligrafias todas diferentes) aproveitou para reivindicar reparações nos elevadores e no comando eléctrico da dita porta do átrio, para reclamar do barulho feito por alguns vizinhos do 7º andar e (já agora!) exigir a troca de lâmpadas fundidas no 3º. O “comunicado” virou “petição”, portanto.

Esta semana, surgiu um novo “comunicado”. Não vinha assinado, também era escrito a computador e foi colado (como os outros) nos elevadores. Mas este era diferente. Este último não era “só” um comunicado. Logo no cabeçalho lia-se «COMUNICADO IMPORTANTE». Mesmo que não fosse (e não era), aparentava ser, à partida, mais importante que o comunicado anterior, que apelava ao cuidado com a segurança de todos. No entanto, o assunto “mais importante” do que os… furtos (não roubos… furtos) no prédio era a chamada de atenção aos moradores dos “A’s” (eu moro num “D” – não era nada comigo) dos «andares superiores» (superiores a qual andar???) que possuam cães para o facto de haver roupa lavada e estendida a ser suja com urina dos animais, vinda «das varandas de cima». Isto criou uma verdadeira comoção no prédio. Ele foi gente a escrever em baixo que dava jeito o comunicante especificar a quem se dirigia o alerta/ralhete sobre a urina de cão… mas também a queixar-se de malta que estende roupa ainda pingar e que também molha a roupa dos andares inferiores (inferiores a que andar, caraças???), a gozar perguntado para que servia estender roupa seca e não molhada, com direito a resposta azeda ao gozo e contra-resposta a gozar um pouco mais… até que alguém (sempre caligrafias diferentes, volto a lembrar) pediu encarecidamente que se começassem a colar folhas em branco abaixo dos comunicados para se poder escrever mais (e – acrescento eu – melhor!), a bem da “sã” comunicação entre vizinhos.

Até agora, tenho sido um mero observador. Não escrevi qualquer dos comunicados nem em qualquer dos comunicados. Mas estou tentado a alterar a minha postura.

A minha ideia é superar a já alta fasquia da coisa lançando um «COMUNICADO IMPORTANTÍSSIMO» (ou «SUPER-MEGA-IMPORTANTÍSSIMO», para ter a certeza de que ninguém fará melhor nos próximos tempos), com os seguintes dizeres:

Comunica-se que este comunicado tem 3 linhas de texto e 3 folhas.Comunica-se ainda que estas 3 linhas de texto servem para comunicar que o restante espaço livre poderá ser usado pelos moradores para comunicarem aquilo que bem lhes dê na real telha ou gana. Obrigado.

Se levar esta minha ideia avante, aqui trarei os resultados da minha iniciativa, que espero venha a ser um sucesso, claro.

Literatura de (mini)Ecrã

Ontem tentei enviar um MMS do meu telemóvel para o da minha irmã, que vive em Coimbra (perdão… é a minha irmã vive em Coimbra; mas o telemóvel dela, ao que sei, também).

Tudo normal… seleccionei a fotografia a enviar e… nada! Imagem, nem vê-la. No ecrã, só uma mensagem que me avisava que o telemóvel estava com dados a mais para poder realizar a tarefa e que, para isso, teria de “limpar” ficheiros do aparelho.

Como ultimamente não tenho guardado muitas fotos, vídeos nem ficheiros de som, decidi ver se o problema estava na caixa de recepção de SMS’s. E estava mesmo. 460 (!) SMS’s como que “entupiam” as “tubagens” do telemóvel, impedindo (por exemplo) que o fluxo de outro tipo de mensagens pudesse circular na “canalização electrónica” do meu Nokia.

Sim. 460 mensagens escritas são bem capazes de serem demasiadas de ter por ali amontoadas na caixa de entrada… Mas, no fundo, são só letras. Pequeninas, com tamanho de fonte minúsculo e juntas em palavras quase sempre abreviadas (algumas até à exaustão). Nada de muita monta, portanto. Nunca me ocorreu que isso desse cabo da boa capacidade de trabalho do meu telemóvel. Mas deu.

Acto contínuo, fiz uma limpeza à caixa de mensagens e lá consegui, depois, enviar o MMS à minha irmã. Só no fim de todo este processo me dei ao trabalho de analisar mais a fundo o que se tinha passado.

Na verdade, tudo começa no número de mensagens acumuladas: 460. São muitas, mas isso até é relativo. Se fossem 460 com meia dúzia de letras (ou menos), como aquelas SMS’s em que escrevemos só “OK” ou “Ya” ou “Tá bem!” ou “Bjo”, julgo que não haveria grande problema. Mas se fizermos cálculos para mais do que essa meia dúzia, o cenário muda de figura.

Por norma, gosto de dar por bem dado o dinheiro que gasto numa mensagem escrita. Se tenho direito a mais de 100 caracteres por cada mensagem que envio (e pago), então tenho usar o máximo de palavras possíveis – às vezes, embora não seja fã da prática, até abrevio umas quantas para caberem mais. Obviamente, também gosto que quem me envie mensagens faça o mesmo – a quantidade de informação contida numa SMS’s é maior, a outra pessoa poupa dinheiro e o meu telemóvel toca menos vezes (toda a gente ganha).

Então façamos as contas. Julgo que a média de caracteres usados numa mensagem escrita seja cerca de 100. A confirmar-se, haveria 46 000 caracteres acumulados no meu telemóvel. Só para se ter uma ideia, 46 mil caracteres equivale a 13 folhas A4 cheias de texto. Nada mal!

Mas quase todos os telemóveis aceitam que a malta escreva SMS’s com 120 caracteres. Feita essa conta, 460 mensagens a 120 caracteres… 55 200 letras e espaços. 16 folhas A4. No entanto, o meu Nokia permite mensagens com 160 caracteres. Logo… 73 600 (!) caracteres poderiam andar a pastar nos meandros do meu aparelho telefónico portátil, quando poderiam encher… 22 páginas de texto inteirinhas e mais umas linhas da 23ª folha. O equivalente a cerca de três capítulos de um livro, sem imagens. Mais coisa menos coisa, claro.

Conclusão: Se por acaso não perdesse tanto tempo a fazer estas contas e a divulgá-las (já que nada disto interessa a quem tenha o juízo no lugar certo), aproveitando-o para limpar as mensagens do meu telemóvel, de certeza não teria tido os problemas que tive… mas perdia-se uma excelente ocasião para discorrer sobre coisa nenhuma.

RTP - Rádio e Televisão(?) Portátil

A verdade é que há uns quatro anos fui a uma loja chinesa comprar um radiozito para colocar junto à minha secretária no escritório onde, na altura, trabalhava. O critério de escolha foi, naturalmente, o preço. Baratinho... não pensei muito antes de decidir comprá-lo. Estranhamente, só agora (dois empregos, várias mudanças de casa e quatro anos depois) é que reparei nessa maravilha que surge no canto inferior esquerdo da caixa do (que eu pensava ser só) rádio.



TV???? Além de Rádio FM e Onda Média, Gravador e Leitor de Cassetes, o aparelho é também... um receptor de TV??? Mas... onde é que está o ecrã?!? Já lá vão 4 anos. 4 anos perdidos sem aproveitar essa funcionalidade da TV no rádio. Se perder outros 4 anos a tentar (em vão) encontrar um ecrã no raio do aparelho... de certeza que ele dá o badagaio antes disso!...

PS: Já agora... será que apanha televisão por cabo? SportTV... talvez?... Dava jeito...

Já não há Polaroids para colar ao tecto


Diz-se que a vida é feita “disto e daquilo”.

Para além de lamentar profundamente o facto de nunca ninguém me ter definido com exactidão o que era “isto” ou “aquilo”, eu atrevo-me a acrescentar que a vida é feita (também) de constatações.

Ao constatar o óbvio e/ou o menos óbvio, estamos a assimilar conhecimentos, no mínimo, porque até ao momento da constatação não sabíamos (ou não tínhamos percebido que não sabíamos) o que acabámos de constatar. Ou qualquer coisa do género…

Por exemplo, eu acabo de constatar que já não se fazem máquinas Polaroid. A empresa criadora do conceito de fotografia instantânea disponível para todos abriu falência e fechou as portas (curioso como o fecho de uma coisa significa sempre a abertura de outra, e vice-versa).

Ao constatar este facto, uma significativa parte de mim (a parte que, de facto, se preocupa com este tipo de coisas) ficou devastada. Principalmente porque estava mesmo a precisar de uma máquina Polaroid e agora, “descontinuada” (é o termo usado pelos funcionários das lojas de fotografia) que foi a produção do produto, torna-se uma tarefa extremamente complicada encontrar agora uma máquina para comprar, mesmo que seja ainda um artigo super popular.

Simultaneamente, apercebo-me de que nunca mais ouvi falar das colas Araldite. Uma rápida pesquisa na net “diz-me” que, ao contrário das Polaroids, o produto não foi “descontinuado” e ainda existe, embora nunca mais se lhe tenha feito publicidade. Aliás, a falta dessa publicidade é tanto mais notada pelo facto de ser mítico o anúncio às colas Araldite que há cerca de vinte anos surgiu nos ecrãs portugueses: Araldite - Capaz de colar cientistas ao tecto. Como seria possível esquecer este conceito?

No entanto, estou em crer que terá sido esse mesmo conceito que determinou o “desaparecimento” (apenas aparente, é certo) da Araldite. Acho que lhes correu um bocado mal a publicidade enganosa resultante de anunciar que seria possível colar cientistas ao tecto com os dois tubos de cola, cujos conteúdos (combinados) resultariam numa substância infalivelmente colante. Penso que, mais tarde ou mais cedo, toda a gente percebeu que a Araldite, afinal, não era suficiente para colar cientistas ao tecto. E ninguém gosta de ser vítima de publicidade enganosa.

Se, por influência do spot publicitário, houve mesmo gente a tentar colar cientistas ao tecto para verificar a veracidade do slogan do anúncio (talvez tenha sido por isso que terá havido um período em que os cientistas quase entraram em extinção - por causa dessa obstinada caça ao cientista para colá-lo ao tecto), cedo foi possível apurar que o cientista que se tentou colar ao tecto caiu “redondo”, de cabeça no chão. A comunidade consumidora não gostou de se sentir burlada e a comunidade científica não gostou de quase ser dizimada por causa de um slogan parvo, vindo da cabeça de um criativo sem grande noção das possíveis consequências do que escreveu.

Não havia, portanto, maneira de a cola Araldite continuar a ser um êxito de popularidade. Agora – ao que sei – o produto é vendido praticamente só a profissionais da construção e de carpintaria, bem como a adeptos trabalhos de bricolage. Segundo o que apurei, já quase ninguém tenta colar cientistas ao tecto com aquilo (a televisão já não diz que é possível fazê-lo e só os poucos que ainda se lembram do velhinho anúncio é que ainda vão aos laboratórios tentar apanhar um cientista incauto para o efeito).

É uma grande injustiça. A máquina Polaroid tem fama e não tem proveito, que é como quem diz que, apesar de imensamente popular, já não é produzida e, por isso, entrou em extinção. Já a Araldite (que, na minha opinião, se não é suficientemente boa para colar cientistas ao tecto, não serve para nada mais do que outra qualquer cola) tem o proveito sem qualquer fama, ou seja, persiste mesmo que com uma reputação bem abaixo do minimamente aceitável. Constato, assim, que a vida (que é feita de constatações) não é justa, na verdade.

= = = = = = = = = =


PS: Fora do assunto em epígrafe, constato também que Ike Turner (personalidade da música americana e ex-marido de Tina Turner) morreu recentemente. A Violência Doméstica perde, deste modo, uma das suas figuras mais proeminentes. Estou certo de que o sector está de luto e vai sentir muito a sua falta.

A Mais Lenta das Internet’s Rápidas


Sou um utilizador de internet móvel. Desde que tenho internet própria que optei por essa forma de acesso à Web porque me dá uma grande liberdade. Há InSensos escritos e postados em bancos de jardim, por exemplo, que só o poderiam ter sido com uma placa 3G de um operador móvel de telecomunicações. Quer dizer… a placa sempre foi minha porque a comprei.

E entretanto chegou a hora de fazer o upgrade à coisa.

O telefonema do senhor da TMN dizia que, com a nova placa, a velocidade de acesso à internet seria substancialmente maior, o que iria dar muito jeito no visionamento de vídeos e de páginas mais “pesadas”, com muitas imagens, coisas em java e em flash. Parecendo-me bem, aceitei mudar e adquirir então esse novo aparelho para substituir a original placa 3G que já tinha praticamente 3 anos.

Hoje posso garantir que, sim senhor, a minha internet móvel é bem mais rápida e que, por esse prisma, estou bastante satisfeito. Mas não estou satisfeito de todo. O problema é que, por muito mais rápida que esta nova net seja, eu estou em condições de afirmar que esta tão chamada “internet rápida” é lenta para “xuxú”*.

Desde o tal telefonema até hoje, dia em que estreio a nova placa, já lá vão mais de três semanas (quase um mês, para ser mais exacto). E isso é a negação do conceito de rapidez.

A verdade é que, entre o meu “Sim” e o toque da campainha aqui de casa com o senhor da Chronopost a estender-me o saco com a encomenda, aconteceram “mil e uma” coisas estranhas que atrasaram um processo que poderia ter demorado 3 dias em mais de três semanas.

A chamada da TMN caiu (quão irónico é isto?) quando era hora de combinar a data de entrega do equipamento, a mensagem de confirmação de entrega demorou uma semana e chegou num domingo às 19h (quando o horário da linha de apoio é de 2ª a 6ª, até às 18h), e a Chronopost conseguiu não entender por 4 vezes qual a hora em que eu estaria em casa para receber a nova placa de acesso à internet, tendo eu feito uma mão cheia de telefonemas só para esclarecer com exactidão esse pormenor.

É giro que, devido a um aparelho que visa melhorar em qualidade e rapidez a minha comunicação com o mundo, todo o processo de o adquirir tenha ficado marcado pela ineficácia e lentidão, precisamente nas… comunicações.

Espero que agora o aparelho faça o efeito pretendido, que trabalhe bem e que tudo seja mais rápido daqui em diante. Aliás, o que eu queria mesmo é que a minha nova placa 3G fosse como aqueles carros que nos dizem dar 160km/h e acabam por conseguir dar 180. Porquê? Porque me dava um jeito tremendo tentar recuperar este mês de atraso. Isso, sim, é que era mesmo bom!...

= = = = = =


* - Ouvi (ou melhor, voltei a ouvir) essa expressão (perdida no tempo) há uns dias e não resisti a usá-la.

O ProctoPoder

Embora me considere um tipo difícil de impressionar, ainda há coisas que me vão admirando e surpreendendo neste mundo.

Um dos casos mais gritantes nesse particular é o facto de – ao contrário do que eu sempre esperei – o planeta não ser governado (e, por que não dizê-lo, dominado) pelos proctologistas.

É verdade. Se quisessem, os proctologistas podiam mandar nisto tudo, o que me leva a crer que, se não mandam… é simplesmente porque não querem.

Em explicando…

A sabedoria popular – a verdadeira fonte de sapiência do mundo – bem diz “Quem tem cú, tem medo”. Eu concordo. Eu tenho um cú e às vezes até me borro. Quer dizer… pode não ser exactamente borrar de medo… mas a ideia base é a de que eu tenho, de facto, um traseiro e (mesmo que a espaços) tenho, de facto, medo. E isso basta para consubstanciar o dito que o povo criou.

O resto vem por acréscimo. Se há malta com cú – calcula-se que uns quantos biliões de gente – e, consequentemente, com medo, é correcto dizer que os proctologistas têm caminho aberto para a governação do planeta. Por duas razões: uma) se toda a gente tem cú e se o proctologista trata precisamente dessa parte do corpo, o proctologista tem acesso a uma das partes mais sensíveis de toda a gente – logo aí… ; duas) até pelo descrito na alínea anterior, a rapaziada nutre um respeito receoso pelos proctologistas e, perante a iminência de ver invadido um dos seus mais delicados domínios, aperta o esfíncter (e bem se sabe que a malta tende a fazer tudo o que se lhe é exigido quando está com o cú apertado) – se o proctologista quiser ser velhaco, diz que se a malta ladrar pode evitar um toque rectal ou outro exame mais complicado e humilhante… e um gajo ladra mesmo!

Ou seja, se um proctologista tiver veia política (e o que não falta para aí são médicos nas militâncias do sistema partidário), pode muito bem e sem grandes artimanhas “convencer” um tipo a votar nele. Basta dar-lhe a entender que, se não o fizer, lhe dá cabo do “sim senhor”. Não será à balda que existe a expressão “Your ass belongs to me now!” (seguida de um riso maquiavélico). Foi um proctologista irado quem a criou.

Estou em crer que, se quisessem, os proctologistas (e vou dizer uma asneira porque se enquadra no âmbito do texto) já podiam mandar nesta merda toda. Seria preciso pouco para chegarem ao poder e, depois disso, de pouco necessitariam para manter uma forte ditadura, baseada no simples receio das pessoas em ver o rabinho cair em mãos entendidas mas perigosas.

No entanto, se ainda não o fizeram, foi mesmo só por opção. O que quer dizer que, igualmente por opção, ainda podem vir a mudar de ideias. Diria, por isso, que mais vale estarmos atentos a tudo o que se faça e diga nas nossas costas, pelo sim pelo não.

Entretanto, no GMail…


Nos livros de banda desenhada, tudo acontece mais ou menos cronologicamente, o que dá jeito para se perceber uma história que até se vai conhecendo ao ritmo de quatro ou cinco quadrados por minuto (dependendo da quantidade dos balões de diálogo e da quantidade de diálogo em cada balão). Daí que, de quando em vez, os autores desses livros necessitem de pequenas analepses para voltar um coche de tempo atrás e mostrar o que se terá passado ao mesmo tempo noutro local que não o da acção que estava a decorrer aos olhos do leitor.

Por isso, é profusamente usada a expressão "Entretanto, …" em pequenos quadradinhos no topo das quadrículas desenhadas.

Lembrei-me disto ao consultar o meu e-mail. Que é uma coisa que fazemos claramente em regime de analepse. Ou seja, "deixa cá ver o que chegou ao meu mail enquanto eu estava noutro lado qualquer a fazer seja o que for". É uma espécie de analepse que fazemos todos os dias, várias vezes por dia.

Dentro de uma dessas periódicas analepses (Bem!... Os professores de Português que leiam isto vão passar-se um bocado de eu estar aqui a fingir que sei mesmo o que é uma analepse; mas pronto…), tive de fazer outra.

O GMail tem um sistema de anúncios que surgem ao lado da mensagem que estamos a ler, alegadamente relacionados com o teor do texto que nos foi enviado. Exemplo: se se fala de comida, os anúncios costumam ser de restaurantes. Mas, como todos os mecanismos de reconhecimento electrónico de discurso até agora criados, este também tem falhas.

O mail em questão era a resposta a um mail anterior da minha senhoria, a quem é suposto eu devolver a casa nos próximos dias, findo q eu será o arrendamento no final deste mês. Ao lado da minha mensagem, logo que foi dada como enviada, surgiram os seguintes anúncios, "relacionados" com o tema (leia-se, arrendamento, chaves, contratos de electricidade, gás e água, etc.):

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Pronto. Começando pelo princípio… Não sei se percebo a cena da oração. A não ser que seja do tipo "reza para que tudo corra bem com as últimas mudanças", ou assim.Também não entendo o anúncio das fotos, a não ser que tenha sido ali "enfiado" a força devido às palavras em casa (repetidas muito no mail) e coincidentes na publicidade ("Receba-o comodamente em casa!). A única com lógica é a referência ao negócio imobiliário… só que Málaga (embora chamativa) não é uma zona que me dê jeito de momento. A "Eficiência Energética" sei por que lá foi parar, aos automáticos links patrocinados, porque falei de electricidade, gás e água - bastou fazer este raciocínio simples para entender. Quanto a divórcios fáceis… é sempre bom saber, talvez até guardar o contacto (porque um gajo nunca sabe o que o futuro traz, certo?) mas nem sou casado, nem a minha onda agora é essa, mas sim outra. E, por fim, espero que o GMail não esteja em crer que eu sou uma gaja a pensar engravidar alguma vez na vida. Talvez a minha senhoria seja. Não sei, porque, na verdade, não a conheço pessoalmente.

Mas, pensando bem, o GMail se calhar também não.

Cremilde

Assim de repente recordo-me vagamente de ter tido uma professora chamada Cremilde.

Da mesma fora, assim de repente, lembro-me que (nem vagamente) me recordo de grande coisa acerca da senhora. Eu sei… é lamentável. E a senhora não tem culpa nenhuma.

No entanto, recordar-me (vagamente, assim de repente) que tive uma professora chamada Cremilde leva-me a constatar um facto que não posso de todo negar: ninguém devia chamar-se Cremilde. Para além de não ser bonito… não deve fazer bem à saúde. Quer dizer… digo eu… que nunca me imaginei com “Cremildo” no Bilhete de Identidade mas desconfio que, de puto até hoje, já teria levado muita porradinha só por ter esse nome. Essa é a tal parte de que “não deve fazer bem à saúde”, obviamente.

Reconheço que a minha opinião é potencialmente injusta para todas as Cremildes (que as deve haver mais na terra do que a minha antiga professora… como as Marias), mas pronto… por reconhecer isso, resolvi “googlar” o nome em questão.

Diz a Wikipedia – essa fonte de saber inquestionável e sempre 100% exacta – que Cremilde foi “Rainha da mitologia escandinava, que obriga Sigurd, através de feitiçaria, a casar com a sua filha Gunnar”. Só por isto fiquei bem impressionado. É que, mesmo não conseguindo entender o facto de os escandinavos terem nomes ainda mais estranhos que Cremilde, a rainha lá da zona era uma tipa de convicções fortes, resoluta a usar qualquer meio para alcançar os fins pretendidos (no caso, a feitiçaria).

Quando tiver uma filha (que não se há-de chamar Sigrud de certeza) e houver um caramelo que queira dar à sola antes da boda… faço como a Cremilde e obrigo-o, nem que a “feitiçaria” se resuma a uns tabefes bem assentes na cara do moço (sim… então se tiver um nome como Gunnar, bem estará a merecê-los).

Ao fim de tantos anos – os suficientes para não me lembrar de grande coisa acerca da minha ”stôra” Cremilde – a senhora ainda me ensina umas coisas e dá umas lições frutuosas para a vida.

Não sei é se o pretendente à mão da minha futura filha vai achar muita piada à lição que, na altura, também eu tiver para lhe dar.

There is Always Something (A FRIDGE) There to Remind Me

Na vida, há coisas com que podemos sempre contar.

Dito isto, eu podia agora dar numa de bem falante e dizer coisas bonitas sobre a amizade, o amor, a confiança de quem nos quer bem, sobre a beleza de um dia de sol, da necessidade de haver um ou outro dia com chuva para que as flores voltem sempre a desabrochar na Primavera e tal…

Não. Não é disso que trata este singelo InSenso, não. Quem estava à espera disso… paciência. Há mais blog’s por aí, certamente com belíssimos textos sobre o tema.

Ao que eu me referia era às lixeiras mesmo. Aquelas de beira de estrada, com muito entulho de construção, acima de tudo e sempre – SEMPRE! – com um frigorífico lá perdido, algures no meio dos detritos.

Sim. Se na vida há coisas com que podemos sempre contar, o frigorífico abandonado numa lixeira é uma delas. E não há nada como saber que em certas coisas podemos confiar… nem que seja num electrodoméstico obsoleto, ferrugento, invariavelmente de porta escancarada e por vezes até com ninhos de pássaros lá dentro… ou então com coisas menos agradáveis de encontrar.

Se olharmos bem para uma dessas lixeiras, nem sempre à primeira o encontramos, mas mais tarde ou mais cedo haveremos de o encontrar. O velho frigorífico, todo partido, com a grelha traseira num estado inenarrável.

Apesar de tudo o que dizem por aí acerca do meio ambiente e do mal que faz o abandono dos frigoríficos nesses locais não autorizados para o lixo, eu, pessoalmente, gosto de encontrá-los nas lixeiras e sucatas do nosso País. Dá-me um certo conforto. Aquele aconchego de passar numa estrada com uma paisagem bucólica à minha volta e de repente ter a certeza de que um frigorífico me há-de cumprimentar, num misto de tristeza pelo abandono e alegria por me ver passar por ele. Sinto-me acarinhado quando assim é.

Nos últimos anos, porém, a concorrência ao mítico e simpático frigorífico tem crescido a olhos vistos. Tem sido penoso assistir ao vergonhoso surgimento em força dos bidés e das sanitas abandonadas nas lixeiras lusitanas. É anti-higiénico, anti-estético e anti-mais coisas que agora não me ocorrem. Em suma, é anti-bom, logo… mau.

Ainda assim, do mal o menos. Tanto o bidé como a sanita têm sempre uso e proporcionam bem-estar a quem os aproveita, ali à beira da estrada. Com uma tabuita ou um contraplacado… as profissionais do sexo podem sentar-se nas horas vagas. E isso parece-me sinceramente um ponto positivo para a loiça sanitária tornada entulho.

De facto, na vida, há coisas com que podemos sempre contar.

Tal como os frigoríficos nas lixeiras (agora e cada vez mais acompanhados por bidés e sanitas) também haverá sempre um grão-de-bico intrometido num saco de feijão seco. Isso é garantido.

Mas isso é todo um outro assunto que também não me apetece abordar neste momento.

José Maria Peixoto

(ou, “A minha noite no Amadora-Sintra”)


Não faço a mínima ideia quem seja o senhor… mas ouvi muitas vezes o nome dele esta noite, no Hospital Amadora-Sintra. José Maria peixoto. Vezes sem conta. Aliás, ouvi tantas vezes o nome dele que eu (que até sou muito esquecido em relação a nomes) o decorei… em várias formas de pronunciação! De facto, a isso ajuda o facto de me ter cruzado com médicos e enfermeiros de várias origens durante as cerca de três horas e meia que lá passei, a soro. Brasileiros, espanhóis, ucranianos, angolanos, hindus… apanhei de tudo um pouco… até portugueses, imagine-se.

Todos eles (de todas as nacionalidades, entenda-se) esforçaram-se por chamar o senhor José Maria Peixoto para ser observado. Nunca veio. Pelo menos, não nas três horas e meia em que lá estive. Mas foi admirável – tenho de o admitir – a perseverança dos profissionais de saúde que (mesmo percebendo que o magano se estava nas tintas para eles, quiçá bêbedo que nem um cacho de uvas já fermentadas) foram insistindo em chamá-lo pelo sistema de som que ecoava pelas Urgências do hospital. Ele pode tê-los abandonado mas eles não o abandonaram a ele. Foi bom perceber isso, como paciente (que também fui), esta noite.

Entretanto, como sei que a curiosidade é sempre uma coisa tramada, tenho a dizer que a minha deslocação ao Amadora-Sintra se prendeu com uma intoxicação alimentar, "adocicada" com uma gastroentrite. Vá lá enterder-se…! Não faço ideia do que terá despoletado a situação, sabendo eu que só ingeri coisas que consumo todos os dias sem qualquer problema, mas pronto… Agora olho para dentro do frigorífico e faço um ar desconfiado para tudo e mais alguma coisa, desde margarinas a compotas de morango, passando até pelos inocentes (ou com ar de inocentes) iogurtes bem dentro do prazo de validade. Enfim… coisas.

Consequências: ontem, um dia inteiro com dores intensas e enjoos brutais, uma noite “inteira” com um duplo cateter a soro e mais uma coisa que não percebi bem o que era e, daqui para a frente, uma dieta rigorosa para repor tudo como estava antes do incidente. Dieta essa em que a “estrela-maior” é a enigmática Água de Arroz que, desconfio, nunca venha a provar sequer. Acho que vou manter-me pelo creme de cenoura, pelas torradas com chá, pelas maçãs cozidas e pelos grelhados de frango e perú. Vão ser pelo menos quatro dias de sacrifício alimentar que, para mim, é um dos mais cruéis exercícios de tortura.

Mas vá… isso se calhar sou só eu que sou comilão…!

Ah… quanto ao Peixoto, nunca o cheguei a ver. E os médicos do Amadora-Sintra também não, quase de certeza.

Jumping Monkeys & Yuppies Cantantes

Amiúde, somos confrontados com interessantíssimas manifestações de profissionalismo nesse mundo (que dizem ser maravilhoso) do atendimento ao público.

Esta manhã tive dois bons exemplos de que um pormenor pode não manchar irremediavelmente o brio profissional de quem quer que seja. Mas a imagem, meus amigos... essa… fica manchada de forma indelével na consideração do cliente, satisfeito com o serviço prestado, mas "algo" insatisfeito com o que viu.

Cada uma das histórias se conta rapidamente.

Saí de Lisboa em direcção a Setúbal, onde haveria de assinar contrato com a agência seguradora devido ao seguro do carro novo. Porto Salvo - Queluz - CREL (a caminho da Ponte Vasco da Gama, para fugir ao trânsito da outra) - IC17... portagem. Abro o vidro do carro ao mesmo tempo que se abre a pequena janela da cabine do portageiro. Lá, aparece uma cabeça que me diz «Bom Dia! São 50 cêntimos, por favor». Uma frase que só ouvi à segunda, confesso. Porquê? Porque logo que o portageiro abriu a janela a única coisa em que a minha atenção se fixou foi num tremendo "macaco" que desesperadamente queria saltar do nariz do zeloso funcionário da Brisa. Tenho ideia que o plano do "macaco" era a fuga para uma liberdade. Uma fuga que - julgo - não passaria de um simples (e parvo) pulo do nariz para o asfalto, para acabar por morrer estatelado no alcatrão e pisado por centenas de rodas nas horas seguintes. Fuga ainda não levada a cabo, claramente, à hora em que passei eu pela portagem. Depois disso, não sei o que se passou. Quanto ao serviço, nada a dizer... mas a imagem que me ficou foi mesmo a do "macaco (brevemente futuro) voador".

Já em Setúbal, para tratar do seguro... um típico yuppie (leia-se, um puto de vinte e poucos anos, provavelmente proprietário de uma malinha de executivo, enlatado num fato, atado com uma gravata e enfiado num escritório todos os dias das 9 às 5) atendeu-me solicitamente, é certo... mas (acho que se se aperceber) por duas ou três vezes começou a cantarolar as músicas que a pequena aparelhagem do escritório debitava. Não lhe afectou o discurso, não interrompeu a comunicação, não complicou o negócio, não teve qualquer consequência nefasta (o senhor até nem cantarolava mal)... mas não pareceu bem, tenho de o dizer.

É como ir num autocarro e o condutor (que conduz bem) se deitar a chamar nomes aos outros condutores. É como assistir a uma pequena discussão entre funcionários dos Correios enquanto somos atendidos por um deles. É como estar numa repartição de finanças e ver, lá ao fundo, um dos funcionários jogar Paciência no computador, quando há uma fila de gente à espera de ser atendida.

Nada disto afecta directamente o serviço de quem, efectivamente nos atende. Mas que fica mal... fica. E, muitas vezes, é essa imagem que fica.

Perfeita’d’ente (ou, "O Dente Azul")

Hoje é Dia da Mulher. Sem desprimor para as Mulheres do mundo – e até com um cumprimento especial para todas elas… ou quase todas –, mas não percebo a cena de ter de haver um Dia da Mulher. Se é para a haver igualdade e tal… então, das duas uma: ou há também um Dia do Homem ou não há nada para ninguém! Mas não é disso que falo hoje.

Reparei há bocado – depois do almoço – que mudei o meu comportamento no acto de lavar a dentola. Não é algo que se fale muito, bem sei. Mas, sim, acho que todos nós, mesmo que não nos apercebamos disso, temos um comportamento “x” ao lavar os dentes, que mantemos vida fora sem grandes alterações. E eu alterei o meu. Porquê?

Porque, há dias, fui ao dentista e o "Xôr Dótôre" passou-me uma descasca daquelas “à moda antiga”, dizendo que, por andar sempre a correr de um lado para o outro, eu só lavava os dentes «pela metade». Nunca tinha reparado nem pensado nisso. Mas agora reparo. Aliás, olho agora muito mais para o espelho enquanto escovo a dentuça. E não é por narcisismo. É porque me preocupo com a forma como estou a escovar. Nunca o tinha feito desta forma; faço-o agora, por uma questão de perfeccionismo.

Se é por uma boa razão, por que não mudar de comportamento para aperfeiçoar o tratamento da nossa (preciosa) dentola?

Entretanto, e já que falamos no assunto “Dente”, mudei noutro aspecto fulcral da minha vida (sendo que uso o termo “fulcral” porque raramente o utilizo aqui no blog e é preciso haver alguma equidade de "palavrêdo" no burgo – inclusivamente, quis mesmo usar um termo inexistente e não palavreado, reparou, Insensato Leitor?).

A modos que vou comprar um auricular BlueTooth.

O que é que o escovar dos dentes tem a ver com a minha compra? Nada. A não ser o ‘giro’ que é um objecto de tecnologia todo xpto com bits e bytes e chips avançadíssimos e circuitos de ondas "plinzertezianas” e assim chamar-se simplesmente “Dente Azul”. Dava dinheirinho para ter estado presente no momento em que o bendito engenheiro electrónico que inventou a coisa se lembrou de lhe dar esse nome tão catita.

Cá para mim, foi desta forma que a ideia surgiu: o tipo tinha ido ao dentista e, como eu, estava a lavar os dentes com mais atenção do que o costume, para evitar o ralhete do Doutor. Por estar a usar Colgate Gel, tinha a dentola azul e daí veio a ideia luminosa para o nome a dar à nova tecnologia. BlueTooth. «Olha!!! Soa bem!!!» .Terá sido assim…?