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RTP - Rádio e Televisão(?) Portátil

A verdade é que há uns quatro anos fui a uma loja chinesa comprar um radiozito para colocar junto à minha secretária no escritório onde, na altura, trabalhava. O critério de escolha foi, naturalmente, o preço. Baratinho... não pensei muito antes de decidir comprá-lo. Estranhamente, só agora (dois empregos, várias mudanças de casa e quatro anos depois) é que reparei nessa maravilha que surge no canto inferior esquerdo da caixa do (que eu pensava ser só) rádio.



TV???? Além de Rádio FM e Onda Média, Gravador e Leitor de Cassetes, o aparelho é também... um receptor de TV??? Mas... onde é que está o ecrã?!? Já lá vão 4 anos. 4 anos perdidos sem aproveitar essa funcionalidade da TV no rádio. Se perder outros 4 anos a tentar (em vão) encontrar um ecrã no raio do aparelho... de certeza que ele dá o badagaio antes disso!...

PS: Já agora... será que apanha televisão por cabo? SportTV... talvez?... Dava jeito...

“Eu buzino mas não apito!!!"


Antes de mais, uma informação (in)útil, para contextualizar a coisa.

Este fim-de-semana desloquei-me ao Porto em trabalho. Como estou longe de ser um expert no que concerne às avenidas, ruas, quelhas e vielas da “invicta”, recorri a boleias de colegas para ir da Estação de Campanhã para a cidade e da cidade de regresso para a Estação.

Na última dessas duas viagens, já ao fim da tarde, uma colega minha, recém-encartada, para além de me usar descaradamente como cobaia para a sua condução de maçarica, foi-me dando motivos para eu brincar com a sua inexperiência como condutora novata que é. Nada de grave, até porque não conduz assim tão mal, diga-se.

Não será, portanto, de estranhar que, quando alguém buzinou num semáforo, eu tenha aproveitado para mandar a laracha: “Não aprendeste a conduzir mas ensinaram-te a apitar!!! Espectáculo!!! Caiu o verde e tu…. Piiii Piiii!!!”.

Como não tinha sido ela (e eu sabia disso), apressou-se a responder-me a plenos pulmões: “Não fui eu!!! Eu não apito!!! Quero dizer… Eu não apito… eu buzino…”

A dúvida como que se instalou na minha mente. Que queria ela dizer com o facto de buzinar mas não apitar?!?... Fiquei confuso. Perguntei-lhe qual era a diferença mas não obtive resposta. Apenas fiquei a saber que a moça simplesmente não apita – já que fez questão de frisá-lo de novo. Já buzinar, pelos vistos, é outra história.

Afinal, o que será isto de apitar, então? Em que será assim tão diferente de buzinar para que a minha colega se tenha apressado a fazer a correcção do discurso? Será apitar uma coisa que não se faz no trânsito mas sim apenas fora dele? Não sei. Sei que apitar não é o mesmo que assobiar. Por isso, já sabemos que apitar não é buzinar nem assobiar.

Vamos com calma. Talvez seja por causa de não ter usado um apito… Mas já nem os polícias de trânsito praticamente os usam actualmente (e que saudades das luvinhas brancas e dos palanques no meio dos cruzamentos, que igualmente já caíram em desuso). Os árbitros usam apito e, sendo assim, esses sim, apitam. Mas os alarmes das casas e dos carros e até dos frigoríficos (que ficam com a porta aberta) também apitam e não têm apito… Pergunto: em que é que ficamos?

Eu não sei se apito, confesso. Buzinar, sim, buzino. Mas apitar... isso já não sei, se apito ou não – embora sempre tenha pensado que apitasse. No entanto, dada a dúvida que me assola desde este fim-de-semana, não posso afirmá-lo sem margem para dúvidas. Digo apenas que, se calhar, apito. Mas pode ser que também só buzine.

Pergunto: o grão-de-bico será sexualmente activo?


Nos últimos tempos tenho andado a observar atentamente tudo o que se relacione com os frascos de vidro de grão-de-bico cosido que consumimos no nosso dia-a-dia.

Para quem acaba de franzir o olho e levantar a sobrancelha com ar de quem acha que eu só digo palermices, tenho duas mensagens: 1) sim, é um facto, eu só digo palermices, o que já não é novidade; 2) ao contrário do que se possa pensar, observar frascos de grão-de-bico é uma actividade fascinante, como passarei a explanar; por isso, faça favor, deixe lá de franzir o olho e baixe a sobrancelha, que isso incomoda-me. Obrigado.

Antes de mais, esclareço que o melhor sítio para fazer essa observação, cuidada, do grão-de-bico enfrascado (não necessariamente no sentido de etilizado, obviamente) é o supermercado ou o hipermercado; qualquer um que tenha uma grande prateleira do produto em exposição, de preferência de várias marcas. Quanto maior for a amostra, mais bem sucedida será a observação.

Quanto ao que se pode analisar nesse processo de elevado calibre científico… bom… digamos que tem a ver com a actividade sexual (ou ausência dela) do sujeito (no caso, o grão-de-bico).

Há uns tempos, defendi aqui que a vida sexual do pionés deve ser deveras frustrante. Primeiro, porque tem aquele aspecto redondo e atarracado, pouco atractivo; depois porque, estando sempre “de ponta” (ainda para mais, afiada), seria suposto ter muita “acção” e ser um verdadeiro “garanhão”… só que, na maior parte do tempo, está encafuado numa caixa pequeníssima com mais cerca de 100 outros pionés, todos “de ponta”, redondos e atarracados, logo… pouco atractivos. Não se lhe augura nada de bom, portanto.

Da mesma maneira, questiono-me acerca da vida sexual do grão-de-bico. Acima de tudo, se haverá, de facto, uma [vida sexual], no caso desta leguminosa.

Pode ser que não, mas há condições (quase) ideais para que sim.

Os frascos – recordo que tenho andado a observá-los com muita atenção, por isso, sei do que falo – estão repletos de grão-de-bico até não caber nem mais um. Está ali tudo muito apertadinho, muito aconchegadinho… Contacto não falta. Além disso, há muita humidade dentro do frasco. Ajuda. Por fim, há que não esquecer que a leguminosa se chama grão-de-bico, com toda a conotação que a palavra bico tem, a nível sexual. Já agora, se colocarmos um grão-de-bico e outro numa determinada posição, há uma certa dinâmica de símbolo yin e yang – com a conotação que também ele tem.

A mim, não me espantava que a vida sexual do grão-de-bico fosse rica, altamente profícua e bem vivida, dentro de um qualquer frasco, seja numa prateleira de supermercado ou numa das nossas próprias despensas.

Só que falta-me a prova científica, o que até agora, em tempo útil (apesar da minha aturada observação) ainda não me foi possível obter. Se, entretanto, acontecer… trarei aqui essas novidades, claro.

InSensoComum173902


Que eu tenho e participo numa data de blog’s já não será grande novidade para quem aqui venha há mais do que… vá… dois dias. Ali na coluna da direita estão alguns exemplos, no meu perfil estarão outros e ainda escrevo para outros sites sob este ou outros heterónimos.

Serve este intróito não para me vangloriar (até porque acho que não passo uma boa fase de criatividade) mas sim para explicar que foi num desses blog’s (para os quais tenho boas ideias mas em que ainda só tenho post’s de teste) que me apercebi de uma coisa curiosa.

Num desses post’s de experiências "caíram", inesperadamente, três comments. Todos eles comments de spam; enviados automaticamente sabe-se lá bem como por outros tantos americanos e que… sabe-se lá bem por quê… vieram ter a um blog que nem sequer tem nada para ver (mesmo que nos ditos comentários se possa ler, a dada altura, que o "visitante" achou o burgo «interessante»). Enfim… americanos…!

Comum aos três comments (para além do facto de serem puro spam), é o formato dos nicknames. Coloco aqui os três, até porque não estou à espera que os americaninhos se chateiem muito com isso.

travisdenton0174
philharolds6331
sarahgibson13717994

Fiquei, posso dizê-lo, triplamente surpreendido. Nunca pensei que houvesse tanto Travis Denton nos Estados Unidos que criasse necessidade de acrescentar "0174" ao nickname, sinal de que já haveria outros 173 (pelo menos) a usá-lo.

O mesmo se aplica ao nome Phil Harolds. 6331?!?! Porra, que é muita gente com o mesmo nomezinho… ainda por cima nomezinho parvo!...

Agora… A Sarah Gibson…! Ninguém ganha à Sarah Gibson! Ou melhor, "ÀS" Sarah’s Gibson’s deste mundo! E são tantas!!! Só até à Sarah Gibson que me "contactou", já eram umas 13717994 (por extenso: treze milhões, setecentos e dezassete mil, novecentas e noventa e quatro) Sarah’s Gibson’s! Extraordinário!

Parece-me mesmo que, assim, Sarah Gibson se constitui como o nome/nickname mais usado em todo o Planeta, se não estou em engano. Mesmo mais do que José Silva (o nome mais português de Portugal e do Mundo) e até que Chang Lee (que os há muitos na China, ouvi dizer – e há muitos chineses na China para terem esse nome).

Ainda assim, surpreendentemente, eu não conheço pessoalmente uma única Sarah Gibson que seja!...

O que – das duas uma – ou deve ser uma imensa improbabilidade estatística… ou simplesmente um azar do caraças.

Afinal... quem é o Lopes?!?

Eu participo num jogo online que dizem ser de estratégia, guerra e mais não sei o quê. Na verdade, aquilo para mim é só uma espécie de hortinha virtual, para criar cereais, barro, madeira e ferro suficientes para - lá mais para a frente no jogo - vir a fazer uma cervejaria. No dia em que isso acontcer, acho que desisto do jogo por me sentir feliz... e um bocadinho ébrio, por ter feito uma cervejaria toda catita. Mas há quem leve o jogo mesmo muito a peito. Estou farto de que a minha aldeia seja atacada e pilhada e até já recebi ameaças via mensagem interna do jogo, por parte de outros jogadores. Mas nem tudo é mau. De vez em quando, recebo mensagens mais soft's e outras muito enigmáticas. Foi o caso da de ontem.

«boas. kem és? és amigo do lopes?»^

A mensagem deixou-me intrigado. Afinal, quem é o Lopes?... Será que sou mesmo amigo dele e não sei...? Decidi respoder de forma... digamos... abreviada.

«Perdão??? Ponto 1- Quem é o Lopes? Estou certo de que será um tipo mesmo muito porreiro e de que até deve ser um tipo daqueles bons para se ser amigo dele... mas não sei quem ele é e, não sabendo, também não terei a certeza se ele será mesmo porreiro e bom para se ser amigo dele. Ponto 2 - Como é que chegaste a essa conclusão de eu eventualmente ser amigo do Lopes? "K@" é uma espécie de código para "possível amigo do Lopes"? Se é, se calhar terei de mudar o meu nick, porque não sou amigo do Lopes. Quer dizer, até posso vir a ser... se ele for mesmo um tipo porreiro e... ... acho que já falei disto. Estou só a brincar. A resposta à tua inocente pergunta é simplesmente não. O resto é só mesmo brincadeira. Desculpa lá se te fiz perder tempo a ler baboseiras. Quer dizer... agora vê lá se te lembras de pensar "Hummm!... Ah não és amigo do Lopes... Então toma lá um atquezinho e tal". Não faças isso. A malta só quer ir fazendo crescer a aldeia para fazer uma cervejaria e depois desiste do jogo. Ah... e eu não ataco ninguém. Isto para mim é uma horta virtual para fazer nos tempos livres. Mas se for mesmo para isso... deixa lá... eu torno-me amigo do Lopes em 3 tempos! Na boa!...»

Pouco depois fiquei a saber que supostamente até deveria conhecer o Lopes, porque ele me convidou para pertencer a uma aliança dentro do jogo. Mas não. Não o conheço a ele nem ele me conhece a mim. Decidiu fazer-me o convite assim meio às cegas. Ficou-lhe bem. Mas não somos amigos. Pelo que continuo sem saber quem, afinal, é o Lopes de quem tanto se fala.

Resumo de uma noite mal dormida*

O meu (antigo) Punto voou pela primeira vez. Dá muito mais jeito conduzir no ar, até porque os máximos direccionados para a estrada lá em baixo iluminam muito melhor o caminho e não incomodam tanto os outros condutores, porque não encandeiam de frente. Só que voar, pelos vistos, faz o carro consumir muito mais gasolina do que é habitual e, em consequência disso, acabei por ficar parado no meio de uma terra de cultivo, tendo de caminhar até à bomba mais próxima, que era uma junto a um shopping muito parecido com o Oeiras Park, só que este tinha um parque de estacionamento exterior, onde a polícia de intervenção carregava sobre uma multidão em fúria, ao que percebi, após um combate de boxe ou artes marciais cujos protagonistas se refugiavam atemorizados na loja da estação de serviço.

Resolvida a confusão, os donos da bomba concordaram em levar-me até ao carro num Opel Astra verde, igualzinho a um que conheço e já conduzi. Lá estava o Punto, no meio da terra lavrada, à espera das gotas de gasolina suficientes para chegar à bomba e atestar. Feito isso, rumei à minha terra, a 200km de Lisboa, onde se presumia ter sido vista a criança britânica desaparecida em Lagos e onde decorria a campanha eleitoral para a Câmara Municipal, já que também esse executivo tinha “caído”.

Chegado à vila, fui imediatamente chamado ao quartel dos bombeiros, porque estes me queriam dar alguns objectos em porcelana/barro vidrado, muito feios, estranhamente a pedido de uma amiga minha que lhes tinha enviado uma mensagem Hi5 para que me dessem aquela garrafinha, os dois mini-pratos e as duas colheres. Não percebi. Porquê contactá-los a eles? Porquê dar-me aquilo? Enfim…

Entretanto, o telefone tocava freneticamente porque a redacção sabia que eu estava na minha terra e toda a gente lá estava histérica a querer saber se a miúda inglesa estava mesmo por lá. Não estava. Disse-lhes isso várias vezes. Ainda assim, o telefone continuava a tocar que nem um louco.

Para tentar perceber melhor a história dos boatos sobre a criança e a razão para as eleições autárquicas intercalares, fui ao café onde normalmente tudo se sabe. No entanto, lá, fui chamado à atenção para o facto de uma revista “cor-de-coiso” vendida no quiosque do estabelecimento revelava uma “investigação” sobre mim, dizendo que quase todos os dias andava em carros diferentes (muitas vezes a conduzir) e que isso era um escândalo, porque, alegadamente, o “português comum” nem dinheiro tem para pagar a gasolina. Daaaah!

E foi difícil explicar a quem já tinha lido o artigo (ah… e inútil a quem o tinha escrito) que, sim senhor, ando em vários carros diferentes mas 90% deles são da empresa e que os uso exclusivamente em trabalho. Não me lembro bem, mas acho que mesmo assim ninguém acreditou em mim. Não me lembro bem porque nessa altura a campainha de casa tocou. Uma, duas… sendo que a terceira vez foi um toque muito mais prolongado.

Levantei-me. Perguntei quem era, com voz de poucos amigos, pelo intercomunicador. O tipo que vê os contadores da água. Filho da mãe! Acordou-me! O sonho estava a ser estranhíssimo, como já deu para perceber. Mas estava a dormir. E não se acorda um gajo que está a tentar perceber um sonho esquisito.

Ah… e não haja dúvidas. Estou com uma dor de cabeça que é uma coisa…!




* - post comum ao InSenso Comum e ao Petit Riens

The Silence of the Lambs (Versão "Portuga")

Há uns anos (não faço ideia quantos) um padeiro da região de Odivelas/Loures decidiu retirar-se da profissão e entregar-se a outro ofício, meio em estilo de hobby, meio em estilo de ajuda à sobrevivência. Tornou-se pastor.

Tinha perto de cem cabeças de gado. Pequeno gado. Cabras e ovelhas, ao que consegui perceber. “Tinha” é o termo mais correcto. Porque deixou de ter. Ou melhor, foi “perdendo” – ovelhas e cabras – «uma hoje… outra amanhã», segundo o referido senhor, de 73 anos de idade.

O misterioso desaparecimento do gado caprino e ovino levou o pastor a tentar perceber o que se estaria a passar e só uns meses depois conseguiu entender. Havia um ladrão a roubar-lhe o gado. Para cúmulo da coisa, até era um funcionário municipal e tudo. Uma daquelas histórias mesmo “à portuguesa”.

Ao ver a notícia – sim, isto foi reportagem de noticiário de televisão – pus-me a pensar. É claro que o que o ladrão de ovelhas (e quem diria que ainda os há, hoje em dia?!?...) é o maior responsável e culpado da situação. No entanto, há outras responsabilidades a apontar. Ao pastor, por exemplo, que me parece ter sido meio ingénuo no meio da história (dormisse ele com as ovelhas, como todo o pastor que se preza faz - com evidente criação de profundos laços de… amizade com o seu gado, mesmo relegando para segundo plano o seu próprio casamento - e nada disto aconteceria). E também, há que não esquecê-lo, às cabras e às ovelhas do rebanho. Não as que foram roubadas, coitadas, que não têm culpa nenhuma… mas sim as outras. As que assistiram a tudo e nada disseram.

Ok… Bem sei que o InSensato Leitor está desse lado a dizer “Olha lá, pá! Grande palhaço! As ovelhas não falam!”, mas isso a mim não me interessa para nada. Se calhar deviam falar, ora essa! E, em não falando, por que não soltar um balido na hora do sequestro das colegas (e, possivelmente, familiares)?... Não o fizeram. E foi o que foi.

Das cabras, já se sabe, não se pode esperar grande coisa… porque são cabras, simplesmente. Nunca se pode esperar que uma cabra faça o que é o mais correcto. Quem assim pensa é ingénuo. Talvez o pastor tenha ido por aí e olha…! Já as ovelhas…! Bom… Acho que não ficam, de todo, isentas de culpas neste cartório.

Ainda assim, ao que tudo indica, o caso foi desvendado e está em tribunal. A ver vamos no que vai dar. Seja como for, parece-me que tudo não passou de uma série de malvadezas, infortúnios, ingenuidades e lamentável incúria de "quem" podia ter balido na hora devida e não o fez… com as consequências daí decorrentes.