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a minha amiga "joyce brothers"


Ao fim de 32 anos, 4 meses e 2 dias, apercebi-me que estou assombrosamente próximo de um dos maiores ícones da cultura moderna… na versão kitsch.

A Doutora Joyce Brothers (para os amigos, Doctor Joyce Brothers – não consta que a senhora tenha amigos não americanos) é uma psicóloga que, em 1955, participou num concurso televisivo e ganhou uma pipa de massa, tornando-se famosa. Tanto que começou a ter vários programas na televisão americana, desde desportivos até – mais na sua área de formação – de perguntas e respostas sobre relações pessoais e amorosas. Hoje em dia, ela é famosíssima e está fartinha de aparecer em filmes e programas de televisão*, sempre em papéis muito kitsch mas, acima de tudo, aparecendo como ela própria, a mítica psicóloga que apresentou sucessos como (aqui não vou traduzir) "Consult Dr. Brothers", "Tell Me, Dr. Brothers", "Ask Dr. Brothers" e "Living Easy with Dr. Joyce Brothers." Sim… No fundo, ela ajudou a América a viver melhor. Pelo menos, a América pensa que sim…!

Quando, esta manhã, descobri que uma amiga minha, gestora de conteúdos de um site de apoio a noivos e futuros noivos para o planeamento da boda e afins, tem uma divisão na página da empresa intitulada “Pergunte à Ângela”, fiquei simplesmente radiante!

Nunca que nunca estive eu tão próximo de uma das figuras maiores desse universo fantástico que é o do aconselhamento de relações amorosas que deu cartas na América e fez escola um pouco por todo o mundo. Repare-se nas páginas mais lidas de revistas como a Maria, Ana Mais Atrevida, Crónica Feminina (perdida nas catacumbas do tempo), e tantas outras publicações que tenham como alvo jovens em busca da troca do acne pela iniciação na vida sexual, divorciadas procurando consolo, prováveis vítimas de adultério desejando vingança e, indirectamente, tipos rebarbados em busca de fulanas exactamente como as supracitadas (ou só de coisas escritas por elas que lhes causem sensações… bonitas.)

Sei de fonte segura (a própria Ângela) que o caso não é esse. Ali, as dúvidas que se tiram são sobre a organização do casório como evento. Como arranjar os convites, escolher vestido de noiva, ultimar os pormenores...

Ainda assim, estou super-feliz pelo facto de a minha amiga Ângela já não ser só a minha amiga Ângela. É muito mais do que isso! É uma amigalhaça de uma data de gente, de quem ela ajude a ter uma vida (ou só um dia de casório) melhor. Caraças!… Basta perguntar à Ângela!... e tudo se resolverá, de certeza!

Não vejo a hora de ela começar a fazer filmes e tal. Quando a Ângela ganhar um Óscar, espero que ela se lembre de dizer o meu nome na altura dos agradecimentos!...



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Já agora...
Pergunte à Ângela!

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* Onde Pára a Polícia, The Nanny – Competente e Descarada, Alf, Ally McBeal, Frasier, BayWatch, Melrose Place, Arma Infrutífera, Entourage – A Vedeta, Love Boat, Simpsons, etc., etc., etc., …

Pitcairn - essa bela ilha!

(o texto é grande mas é verão... e há muito pouca coisa para fazer)




Um bocadinho de História e Geografia… só naquela…

Às voltas pela internet descobri uma nação que desconhecia por completo: um pequeníssimo arquipélago no Pacífico Sul chamado Pitcairn, onde só a principal ilha (que dá nome ao território) é habitada… mas não muito.


Pitcairn é um território autónomo ainda que sob a tutela da coroa britânica, embora me pareça que a Rainha Isabel II não saiba bem o que lá se passa… ou então opta por não saber. Já lá vamos.

Os primeiros habitantes chegaram em 1789 (até ali, o conjunto das ilhas era totalmente inabitado) e eram ex-tripulantes de um navio inglês chamado Bounty. A 29 de Abril desse ano, eles amotinaram-se (um banzé desgraçado, reza a História) e fugiram, deitando fogo ao navio. Começaram a ser procurados pela marinha inglesa e refugiaram-se na ilha em busca de esconderijo. (Com este "nascimento", estava visto que o território nunca viria a ter boa fama.)

Apesar de tudo, naquela época, os cerca de 20 primeiros habitantes de Pitcairn conseguiram multiplicar-se (havia de ser um belo regabofe!...) até serem mais de 190; mas hoje são só 50.

O mais curioso de tudo é que, volvidos mais de 200 anos, a maluquice de marinheiros (ainda para mais amotinados, fora-da-lei) não passou àquela malta e, em 2004, um terço da população foi julgado por abusos sexuais.

Isso fez-me pensar. Então… quem é que NÃO ESTEVE envolvido nessa sodomia generalizada (que acabou nos tribunais)!? É uma questão, acima de tudo, matemática. Se um terço de 50 pessoas são 16, isso implica que haja 16 abusadores e, pelo menos, 16 abusados (que podem ser mais, se um abusador tiver abusado de mais do que uma pessoa… ou – vá – até menos… se houver malta massacrada por mais do que um abusador). Contas simples resultariam em 32 pessoas envolvidas. Perante este cenário, restariam 18 habitantes. Se um for o juiz que julga todos estes casos, outro o funcionário do tribunal e mesmo que haja só um advogado para defender os acusados e um para representar a coroa, restam 14. Partindo do principio que o padre da ilha se portou bem (o que, por aquelas bandas, não é de todo garantido), 13; e de que o director da cadeia e o guarda prisional não podem estar envolvidos (caso contrário, não se poderiam prender os abusadores condenados), ficam 11 habitantes. Obviamente, desses 11, grande parte deles (se não todos) serão inevitavelmente parentes dos acusados ou das vítimas, que não olharão a meios para mentir em tribunal com vista a condenar ou absolver os abusadores, o que em qualquer dos casos é sempre crime também.

De facto, se há coisa que o tempo não apaga (poderia pensar-se que dois séculos bastariam… mas, pelos vistos, não…) é a ruindade das pessoas.

Não encontrei nenhuma reacção oficial da Casa Real Britânica a este descalabro judicial que envolve toda a população de um território autónomo sob a tutela da Rainha Isabel II. Sua Majestade deve ter preferido olhar para o lado e assobiar. Ou então… pensou baixinho: «Ah! Afinal é ali que estão os tri-tri-tri-netos dos velhacos que deram cabo daquele nosso navio há uns "anitos"! Estão iguaizinhos aos antepassados, quem diria! Bom… É deixá-los estar… Não vale a pena chatear-me e ir lá dar uns açoites. Por este andar, eles que são má rês que se entendam. Praticamente ninguém sabe que Pitcain existe mesmo…!»

Só para contrariar a monarca britânica, aqui deixo este InSenso… e, já agora, o mapa de Pitcairn, a terra em que toda a gente, desde sempre, tem culpa no cartório.

MICTAR





Uma palavra que, claramente, não é dita com a frequência que merece. Também por isso, o InSenso Comum aproveita para dedicar este post e assim prestar-lhe a devida homenagem.